quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Encontro


Ela estava dentro de um dos vagões gelados do metrô. Minha amiga a avistou ao se levantar para descer:

- Tadica... - acompanhei o olhar e concordei com a compaixão, sentindo piedade eu mesma. A libélula teria poucas chances de sair dali.

Me despedi da Ju e fiquei quieta no vagão cada vez mais cheio. O problema é que o meu olhar já estava capturado. Observava o ar frio e inclemente castigando as asinhas delicadas e, como ela não se movia, pensei que estaria morta.

Mas ela se mexeu. Na mesma hora eu levantei e fui até a libélula, ofereci a minha mão com a maior calma e esperei. Devagar ela subiu nos meus dedos e ali ficou.

Pensei em libertá-la em Copacabana, perto do Parque da Chacrinha. Fiquei imóvel como ela, para não a assustar, e começamos a falar, de alma para alma:

- Não tema... Vou levar você para um lugar lindo... Confia em mim.

Fomos papeando da Carioca até Botafogo. Ela respondia vibrando devagar, como se o mundo fosse uma filmagem em câmera lenta.

Quase chegando na Arco Verde ela passou a vibrar mais forte.

Voou. Não consegui impedir e ela se perdeu entre os humanos naquele trem subterrâneo.






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