quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Arrival (A Chegada)

(foto do filme "A Chegada", de 2016)

“- Come back to me.”

Na minha opinião é o melhor filme que eu assisti em 2016. Talvez um dos melhores que eu já assisti na vida (ainda estou absorvendo o filme, para vocês terem uma ideia - assisti em dezembro).

A narração é em tempo psicológico e as cenas, que têm uma bela fotografia, vão se encaixando como um quebra-cabeças. A música e a trilha sonora são harmoniosas com todo o filme, intercalando imagens e falas, pensamentos e acontecimentos.

Amy Adams está impecável como Dra Louise e a história vai ganhando uma profundidade emocional e humana tão imensa que parece quase impossível descrever em palavras. Sim, é um filme de ficção científica que expõe as emoções humanas, quase como se jogasse uma luz suave sobre elas.

Incrível ser testemunha de todas aquelas vidas entrelaçadas e acabar tropeçando no conceito de que o tempo linear como nós o percebemos é apenas uma possibilidade neste universo. Outra observação importante é a questão da construção do pensamento (e da percepção do universo e do tempo) a partir da LÍNGUA, que permeia todo o filme.

Recomendo muito.





quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Encontro II


O ar frio te cerca
Minhas mãos tentam te salvar
Como em um sonho confuso
O tempo parece parar

O calor do meu corpo te aquece
Sinto teu murmúrio silencioso na pele
Fixo o olhar nas tuas turquesas
De inquestionável e rara beleza

Quis libertá-la dali, salvá-la
Do vagão gelado e feroz
Mas voaste para longe
Naquele instante breve e atroz

Fiquei sem voz, sem pranto
Sem perceber, entretanto
Que todos somos libélulas
No vagão gelado e estranho


(Flavia Alves, Janeiro de 2017)





Encontro


Ela estava dentro de um dos vagões gelados do metrô. Minha amiga a avistou ao se levantar para descer:

- Tadica... - acompanhei o olhar e concordei com a compaixão, sentindo piedade eu mesma. A libélula teria poucas chances de sair dali.

Me despedi da Ju e fiquei quieta no vagão cada vez mais cheio. O problema é que o meu olhar já estava capturado. Observava o ar frio e inclemente castigando as asinhas delicadas e, como ela não se movia, pensei que estaria morta.

Mas ela se mexeu. Na mesma hora eu levantei e fui até a libélula, ofereci a minha mão com a maior calma e esperei. Devagar ela subiu nos meus dedos e ali ficou.

Pensei em libertá-la em Copacabana, perto do Parque da Chacrinha. Fiquei imóvel como ela, para não a assustar, e começamos a falar, de alma para alma:

- Não tema... Vou levar você para um lugar lindo... Confia em mim.

Fomos papeando da Carioca até Botafogo. Ela respondia vibrando devagar, como se o mundo fosse uma filmagem em câmera lenta.

Quase chegando na Arco Verde ela passou a vibrar mais forte.

Voou. Não consegui impedir e ela se perdeu entre os humanos naquele trem subterrâneo.