sexta-feira, 2 de junho de 2017

Não há!


Não há espaço para a neutralidade se queremos um mundo melhor.

(Flavia Alves)




terça-feira, 23 de maio de 2017

Alegria

(para Carol)


Alegria do encontro, do respeito, do abraço.
Alegria do sorriso, da risada, do afeto.
Alegria do tempo, do aprendizado, do espaço.
Alegria do amor, da amizade, da escolha.
Alegria perene, crescente, real.
Alegria do brilho no olhar, da cumplicidade, do sonhar.
Alegria de sermos "nós", de estarmos juntas.
Alegria de te amar.


(Flavia Alves)









-- 
Arte: Claudia Tremblay



terça-feira, 2 de maio de 2017

Luta

Mãos que tocam a terra
A Terra
Mãe Terra

Pés que dançam em círculo
Correm na mata
...floresta, rio

Olhos que choram sangue
Dor latente
Pulsante

Grito silenciado!
Até quando?
Até quando?
Até quando?

Cadê os direitos?
Cadê?
Cadê?

Onde está a justiça?
Cadê?
Não sei...

Ecos gritados
...que precisam ser ouvidos
...sentidos!

Clamor na boca: INDIGNAÇÃO!
Luta por nossos irmãos!
Luta com as nossas mãos.

Com o coração
Com o coração
Com o coração

AÇÃO!

#demarcaçãojá



(Flavia Alves)

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Fragmentos


Lados, cores, muitas facetas.
Somos caleidoscópios... Complexos.
A luz nos revela a beleza.


(Flavia Alves)






domingo, 16 de abril de 2017

Mãos sujas


Ecos mal escolhidos.
Escuros. Disformes.
Distorcidos.

Olhar que provoca dor.
Sofrimento. Desalento.
Desamor.

Distância que parece abismo.
Silêncio. Hiato.
Egoísmo.

Simulação fatal.
Teatro para quem?
Crueldade como opção.
Hipocrisia.
Anulação.

(Flavia Alves)





quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Arrival (A Chegada)

(foto do filme "A Chegada", de 2016)

“- Come back to me.”

Na minha opinião é o melhor filme que eu assisti em 2016. Talvez um dos melhores que eu já assisti na vida (ainda estou absorvendo o filme, para vocês terem uma ideia - assisti em dezembro).

A narração é em tempo psicológico e as cenas, que têm uma bela fotografia, vão se encaixando como um quebra-cabeças. A música e a trilha sonora são harmoniosas com todo o filme, intercalando imagens e falas, pensamentos e acontecimentos.

Amy Adams está impecável como Dra Louise e a história vai ganhando uma profundidade emocional e humana tão imensa que parece quase impossível descrever em palavras. Sim, é um filme de ficção científica que expõe as emoções humanas, quase como se jogasse uma luz suave sobre elas.

Incrível ser testemunha de todas aquelas vidas entrelaçadas e acabar tropeçando no conceito de que o tempo linear como nós o percebemos é apenas uma possibilidade neste universo. Outra observação importante é a questão da construção do pensamento (e da percepção do universo e do tempo) a partir da LÍNGUA, que permeia todo o filme.

Recomendo muito.





quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Encontro II


O ar frio te cerca
Minhas mãos tentam te salvar
Como em um sonho confuso
O tempo parece parar

O calor do meu corpo te aquece
Sinto teu murmúrio silencioso na pele
Fixo o olhar nas tuas turquesas
De inquestionável e rara beleza

Quis libertá-la dali, salvá-la
Do vagão gelado e feroz
Mas voaste para longe
Naquele instante breve e atroz

Fiquei sem voz, sem pranto
Sem perceber, entretanto
Que todos somos libélulas
No vagão gelado e estranho


(Flavia Alves, Janeiro de 2017)





Encontro


Ela estava dentro de um dos vagões gelados do metrô. Minha amiga a avistou ao se levantar para descer:

- Tadica... - acompanhei o olhar e concordei com a compaixão, sentindo piedade eu mesma. A libélula teria poucas chances de sair dali.

Me despedi da Ju e fiquei quieta no vagão cada vez mais cheio. O problema é que o meu olhar já estava capturado. Observava o ar frio e inclemente castigando as asinhas delicadas e, como ela não se movia, pensei que estaria morta.

Mas ela se mexeu. Na mesma hora eu levantei e fui até a libélula, ofereci a minha mão com a maior calma e esperei. Devagar ela subiu nos meus dedos e ali ficou.

Pensei em libertá-la em Copacabana, perto do Parque da Chacrinha. Fiquei imóvel como ela, para não a assustar, e começamos a falar, de alma para alma:

- Não tema... Vou levar você para um lugar lindo... Confia em mim.

Fomos papeando da Carioca até Botafogo. Ela respondia vibrando devagar, como se o mundo fosse uma filmagem em câmera lenta.

Quase chegando na Arco Verde ela passou a vibrar mais forte.

Voou. Não consegui impedir e ela se perdeu entre os humanos naquele trem subterrâneo.