sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Viver


"Somos espíritos em uma jornada humana..."


Não podemos pensar que seríamos mais felizes se tivéssemos levado adiante uma antiga faculdade, ou aquele curso de francês que começamos e não terminamos. Nem que seríamos mais plenos se morássemos na Nova Zelândia ou viajássemos para a Espanha. Não podemos condicionar nossa alegria à um imóvel, ou dois, ou um prédio inteiro! Não devemos! Não é isso que nos trará a paz que buscamos.

Como disse um certo personagem de filme, nós não somos o conteúdo de nossas carteiras, sejam elas recheadas ou não. Não somos as nossas roupas, sejam elas boas, velhas ou estilosas. Nós não somos os nossos empregos, amemos eles ou não!

O Trigueirinho tem um questionamento brilhante que diz mais ou menos assim: 'Trabalhou a vida toda, economizou muito e comprou uma casa. Daí, veio a enchente e destruiu tudo! Qual é a lição?'

Parece óbvia, não é mesmo? A felicidade não está em coisas. Não está nem mesmo em lugares ou viagens. Tem mais. A felicidade não está em outra pessoa... Não procure isso em ninguém, porque nem seria justo com o ser amado.

Cada um de nós é um universo e tem sua própria percepção do que é o mundo e da vida... Eu asseguro que já vivi o suficiente, em especial observando as pessoas ao meu redor; pra saber que quem mais conseguiu chegar perto do que eu percebo como felicidade, foi o Nietzsche; quando a compara com as borboletas e as bolhas de sabão.

A felicidade são os lampejos, o brilho dos vaga-lumes, os breves piscares de olhos, as estrelas cadentes. A felicidade está apenas nos momentos fugazes e na percepção do 'Agora'. Ela está no hoje. Não está no passado e muito menos no futuro, que pode nem mesmo chegar...

Ah é... Guardar rancor não tá com nada. Não nos leva a nenhum lugar! Odiar é ainda pior. Quem é louco de tomar veneno, desejando a morte do outro?? Por que é isso o que o ódio faz. Perdoe de uma vez. É difícil pra caramba, mas perdoe. Perdoe inclusive à si mesmo (e estou relendo esta frase várias vezes, pois eu costumo ser a minha pior carrasca). Precisamos sim derrubar muros... CONSTRUIR pontes de amor. Resgatar os elos de afeto, se existir o alicerce.

Outro ponto. Faça um favor para si mesmo e para os seres amados (os que te amam e os que você ama): Tenha a certeza da IMPERMANÊNCIA. Tudo muda, o tempo todo. Eu, você, tudo e todos. Não espere que a amizade com alguém, ou o amor por alguém fiquem estáticos no tempo e no espaço. Amizade e amor são escolhas e construções. Sabendo disso, e levando em consideração as mudanças inevitáveis, faça suas escolhas sem cobrar que o outro jamais se transforme.

Saber reconhecer as bençãos da vida nos traz serenidade... Lavar as louças com gratidão, por ter tido alimento no prato e nas panelas; limpar a casa em harmonia, consciente de que ter um teto (seja seu, seja alugado ou emprestado) é uma benção... Deitar a cabeça no travesseiro de noite, plenamente consciente de que VIVEMOS O QUE PRECISAMOS VIVER.

O universo é tão grandioso que mesmo o caos em nossas jornadas não é ao acaso. Tudo flui e contribui para nosso crescimento, para lapidarmos à nós mesmos... Para aprendermos.


E assim, quem sabe, possamos perceber o oceano ao lado de nossa pequena lagoa... Quem sabe poderemos parar de nos preocupar com nosso pequeno e limitado olhar... E assim, possamos buscar o VER e o SER.



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