quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A casa na floresta


Era noite. Eu olhava os detalhes da casa de madeira com atenção, pois iríamos morar ali, naquele lugar... Eu e minha família. Meu companheiro andava por outro cômodo, e assim, conversávamos e analisávamos se era um caso de reforma, ou se teríamos que construir uma nova casa, mais perto da orla da floresta.

- Não vejo muita solução... Está caindo aos pedaços.
- É... Está mesmo ruim. Não sei se deveríamos desistir logo desta casa.

De fato. A casa por onde andávamos era muito velha, tinha centenas de anos e o que denunciava isso eram os vidros grossos e disformes, e aspectos da construção que remetiam até mesmo à Idade Média. A varanda da casa era estranha e ficava sobre um pequeno córrego, que seguia poluído e escurecido.

Uma risada de criança chamou a minha atenção e vi um menino de cabelos escuros e cacheados correndo alegre pela casa, fazendo o chão de madeira ranger com seus passos, mesmo tão leves. O sorriso dele era contagiante! Olhei para fora da casa, ainda sorrindo e notei que uma tempestade se aproximava rapidamente. 

Apressada, alertei meu par e começamos a fechar as janelas e portas, pois eu sabia que as águas seriam intensas e talvez parte da casa não resistisse. O vento erguia as folhas secas da floresta e fazia ranger o teto e cada pedaço daquela casa.

Acordei.

*  *  * 

Qual o limite para percebermos que algumas vezes as velhas crenças precisam ser derrubadas? 

O destino assume o papel de tempestade e os ventos da impermanência nos mostram que tudo e todos mudam.








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