terça-feira, 8 de abril de 2014

Torre de Vidro


A tinta da caneta está finalmente a secar
...como meus olhos
Não transbordo mais por ti
...nem mágoa e nem dor

Custei a expurgar tanto veneno de minh'alma
Sim, agora eu concordo contigo
Foste veneno, de fato

Veneno doce, que engoli livremente
Veneno amargo, sangrado tristemente

Não és "página virada"
Eras o livro inteiro
...incompleto, não lido
A empoeirar na estante da sala

Fostes parte de mim mesma
...parte de tantos passados esquecidos
Fostes uma tormenta, um tornado
Eras a tempestade da torre de vidro

Meus sonhos me mostravam afinal
...o quão frágil e quebradiço tudo em nós seria
Tola fui eu
...de acreditar que tu mudarias

Vives a buscar algo além do que eu podia oferecer
Ofereci a ti apenas amor, conchas e poesias
Sem saber que isso jamais bastaria

Eu não quero viver em torres de vidro!
Não quero mais tempestades

Escolho a chuva mansa, as risadas
a areia da praia, o mar
Escolho a terra, as plantas
o sol, o vento e o sonhar

Escolho a paz derradeira
Eu escolho estar inteira
Adeus cavaleiro de Ni errante
...sejas feliz, efêmero e frágil diamante


(Flavia Alves)











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