segunda-feira, 28 de abril de 2014

Toque do Olhar


Encontro de caminhos
...será o Destino a se cumprir?
Toque do teu olhar
Luz que me faz sorrir

Vida que se impõe
Brotar de um novo sentir
Saudade mais do que bem-vinda
Possibilidades a surgir

Desejo crescente, quente
...de ter, ser, estar
Necessidade gritante
...dos teus caminhos compartilhar


(Flavia Alves)



Crescente Querer


Em meus sonhos estou em seus braços
Sou sua e você é só meu
Este crescente querer
...já é inegável em meu ser
Saiba, meu arqueiro de sonhos
...que eu já desejo muito você


(Flavia Alves)




sexta-feira, 25 de abril de 2014

Olhos de Chuva


Olhos de chuva
Escuros e intensos
Que vontade de rirmos
...com os dedos entrelaçados
E sentir seus toques quentes, suaves
Seu beijo doce, forte
Abraço que entrelaça a minh'alma
Crescente e impertinente saudade
Seria isso destino ou sorte?
Inesperada borboleta
Bolha colorida
Realidade desejada
Vida


(Flavia Alves)



--

Imagem: deviantART



quinta-feira, 17 de abril de 2014

Canela


Tu percebes
E vês
E falas
E eu noto a ti
Teu zelo
Teu cuidado

E anseio por teu abraço
Por teu olhar, beijo e carinho
E fico a divagar
...estarei eu a sonhar?

Pareces saído de um sonho
Serás real?
Estás mesmo neste mundo?

Pois apenas quando estou nos teus braços
,,,tenho esta certeza

Estás aqui.

Doce clareza.


(Flavia Alves)



--

Imagem: deviantART


Busca


Ah! Ansiado abraço...
Enlace tão almejado
Será você, de fato?
Minha busca terá encerrado?


(Flavia Alves)



--

Imagem: deviantART

terça-feira, 15 de abril de 2014

Reencontro


     Caminhava pela floresta distraída pelos movimentos rotineiros de buscar frutas silvestres e levar para a árvore onde moro. A luz já estava crepuscular, suave, e os últimos raios do sol penetravam nas densas folhagens das árvores milenares. Cipós floridos com cores das mais diversas mostravam o auge da estação mais alegre do ano; mas, ainda assim, o verde e verdes predominavam. Parei perto do riacho cantante e ajoelhei, segurando minha roupa rústica de algodão. Olhei meu reflexo nas águas quase calmas e foquei em meus olhos cansados. O tremor natural das correntezas fazia com que minha imagem parecesse onírica.

     Um vento súbito, vindo do sudoeste me deixou alerta. Fiquei em pé por reflexo, aguardando com minha mão sobre a adaga de obsidiana. Uma voz suave estava sendo trazida com o vento... E fui invadida por um sentimento de nostalgia e saudade. Senti o cheiro da alma amada... Com o coração batendo mais forte, peguei a bolsa com as frutas recolhidas naquele dia e comecei a correr na direção do meu ninho quase vazio.

     Ao chegar lá, entrei. Quase não dei atenção aos pequenos seres que dividem meu lar comigo. As pequeninas Chama, Pedra, Pluma e Gota. Não que sejam de fato criaturas presas aos elementos... Não são. Mas achei conveniente chamá-las assim, pois pareciam simbolizá-los. Notei que mal eu entrei na árvore, começou a chover... Uma chuva gentil, suave, cujo toque nas folhas quase produzia uma música. Fui até a abertura oval e percebi o brilho perolado que vinha de uma das duas luas, a menor delas, nas múltiplas gotas e gotículas que se acumulavam nos muitos verdes e cores da floresta. Anoitecia.

      Meu coração estava agitado. A verdade é que eu esperava por aquele sinal há mais de um ciclo solar... Isso significava meses, eternos, de espera. Respirei mais devagar, tentando controlar minhas emoções com o pequeno ritual do ar interior. A expectativa do reencontro fazia meu coração bater como um tambor ritmado, em um pré-ritual de entrega.

     Como seria isso? Nossos olhos iriam se entrelaçar? Nossas vozes seriam livres? O abraço seria o abraço de almas? Como seria sentir seu cheiro, e não apenas o vento da memória? Como seria sentir esta alma tão perto? Algum dia nos afastamos de fato? A verdade é que ao nos separarmos, quando a pequenina, já não tão pequenina, decidiu ir para terras distantes tentar a sorte; uma parte de mim foi com ela... Mesmo que ela não tenha percebido. Meu amor a acompanhou em cada passo de seus novos caminhos e sua grande jornada. E sei que ela deixou uma parte de si comigo... E foquei meu olhar no bracelete de pedras azuis em meu pulso esquerdo. Mesmo quando eu não o usei, com receio de quebrá-lo, ele estava ali, entranhado em mim, pois quem o porta é meu coração.

     Uma lágrima desceu suave, ao recordar do pesadelo que eu tivera no ano anterior... Quando sonhei que a vi em uma floresta escura e desconhecida, falando com uma voz sombria, que não pertencia à ela... Sem sustentar meu olhar e sem sentir reciprocidade no meu afeto. Lembro de minha sensação ao acordar e dos dias e dias que fiquei me convencendo que tinha sido apenas um pesadelo... Que ela, a alma amada, jamais permitiria que vozes alheias falassem por ela. Minha pequena era forte, guerreira. Era corajosa. Nunca falariam através dela... Nunca.

     Fui até a mesa e peguei uma pequena fruta lilás. Ela brilhava como uma pedra preciosa. Pedra, Concha, Pluma e Chama me rodeavam curiosas e lhes mostrei a pedra no meio das frutas. Era um sinal. E meu coração estava afinal pleno de esperança... O reencontro finalmente seria real.








segunda-feira, 14 de abril de 2014

Chuva e crepúsculo


O dia, de fato, foi longo...
Mas chegou o crepúsculo
...trazendo chuva e frio
E quebrou a rotina
...pois me trouxe você
Rimos e navegamos
...viajamos em ideias e bem-querer
O frio se desfez no abraço
...os beijos trouxeram o calor
(desejo)
Possibilidades de laços
...de amizade
Suave alegria
...e apressada saudade



(Flavia Alves)




--

Imagem: deviantART



terça-feira, 8 de abril de 2014

Torre de Vidro


A tinta da caneta está finalmente a secar
...como meus olhos
Não transbordo mais por ti
...nem mágoa e nem dor

Custei a expurgar tanto veneno de minh'alma
Sim, agora eu concordo contigo
Foste veneno, de fato

Veneno doce, que engoli livremente
Veneno amargo, sangrado tristemente

Não és "página virada"
Eras o livro inteiro
...incompleto, não lido
A empoeirar na estante da sala

Fostes parte de mim mesma
...parte de tantos passados esquecidos
Fostes uma tormenta, um tornado
Eras a tempestade da torre de vidro

Meus sonhos me mostravam afinal
...o quão frágil e quebradiço tudo em nós seria
Tola fui eu
...de acreditar que tu mudarias

Vives a buscar algo além do que eu podia oferecer
Ofereci a ti apenas amor, conchas e poesias
Sem saber que isso jamais bastaria

Eu não quero viver em torres de vidro!
Não quero mais tempestades

Escolho a chuva mansa, as risadas
a areia da praia, o mar
Escolho a terra, as plantas
o sol, o vento e o sonhar

Escolho a paz derradeira
Eu escolho estar inteira
Adeus cavaleiro de Ni errante
...sejas feliz, efêmero e frágil diamante


(Flavia Alves)











segunda-feira, 7 de abril de 2014

Transbordar


O olhar transborda
...quando a solidão sufoca
Esvazio um pouco a dor
Assim, a alma não afoga


(Flavia Alves)

--

Imagem: deviantART

Baunilha


Estranhamente anseio por teu abraço
...nosso
...talvez beijo
Antecipo esta troca
Quase sinto teu cheiro
...será de chuva?
...ou de mar?
Lavanda ou baunilha?
Estarei eu a sonhar?
Terei sobre mim, enfim, o teu olhar?
E as risadas do meu sonho
...ecoarão em nossas estradas?
O silêncio será cúmplice?
A conversa e os enlaces
...serão partes de nossas jornadas?


(Flavia Alves)


sexta-feira, 4 de abril de 2014

O não esquecer...


Após algum tempo consigo ver com clareza...
E posso ter a certeza
Que não importam afinal as dores
Nem os sonhos perdidos, ou os amores mal esquecidos
Sempre abri a alma
Saltei! Fui e sou corajosa
Sou guerreira, sou arqueira!

Escolho manter todas as minhas memórias
Não quero mais esquecer
Sou tudo o que vivi, todas as escolhas
E, de fato, fiz sempre o meu melhor
Eu fiz! Eu amei. Não me arrependo de nada
...mas não irei do passado viver!

Que brotem os novos sonhos
Irei trilhar novos caminhos

Respiro

Estou em paz


(Flavia Alves)

77ª Lei da Vida ou Lei dos Trovados


"Trovado é tão imprevisível porque é muito temperável..."

(uma trova ou verso é imprevisível na razão direta da quantidade de palavras nele usadas para ser escrito, com a semântica, a métrica e a rima adequadas, seja em português, francês, yorubá ou mesmo em outro idioma - inglês sic...)

77ª LEI DA VIDA ou LEI DOS TROVADOS
(texto e reflexões do Professor Gamai)

          A música e a poesia são quase a mesma forma da criação se manifestar. Os criadores (poetas, menestréis, namorados) são os seres que, a cada aspiração da inspiração, recombinam as idéias no caleidoscópio do espírito e na expiração, exalam as novas formas criadas, música ou poesia. Ao combinar a semântica  e rimas em infinitas, belas e harmônicas combinações, o criador compõe e sonha. Alimenta o inconsciente coletivo que nos parece a tudo devorar com seu apetite infinito. O inconsciente é na realidade a essência que nos compõe como seres.  Mantendo e possibilitando a existência e a repetição de existências (reencarnações) dos infinitos indivíduos que somos quando nos reconhecemos como joãos, marias e até leonardos (meninos, encarnados, "ficando azuis" e se individuando, como humanos ou mesmo como não humanos, cá no brejo da cruz).

          Os criadores são esses meninos, indivíduos (João, Chico, Maria, Beatriz, Einstein, Mozart) que vivem em movimento e desequilíbrio (meninos hiper ativos). O seu movimento assimétrico gera então um vórtice, rodamoinho, roda-viva ou malestron (sumidouro). É o foco da criação ou da recombinação da realidade. É um ponto onde é aplicada a vontade. A única força disponível que podemos usar em nossas vidas na verdade! (essa força é sistematicamente procurada pela ciência formal humana como um modelo para uma teoria unificada que explique e justifique a realidade que percebemos em níveis macro e/ou micro).

          Em nossas vidas como indivíduos, enfrentamos uma dificuldade inicial (o nosso primeiro inimigo) que necessitamos  vencer, é o medo. Ele decorre da incerteza que nós os seres em processo de individuação, (como meninos) enfrentamos. Somos compelidos a povoar nossas bases de dados (segmentos do inconsciente trabalhados para nos permitir a gradativa percepção consciente), originalmente vazias de nossas próprias experiência com as experiências que vivenciamos a cada instante de nossas vidas. Por que inicialmente, elas só contem as lembranças ancestrais de nossa espécie (do pai, da mãe, do avô), que foram nelas registradas no momento de nossa própria criação ou surgimento. Nossa criação decorre de um "ondular" da realidade (paixão, amor, frenesi, torvelinho, turbilhão, vórtice sumidouro ou chacra) que se agita e se manifesta sempre em pais & mães e em nós mesmos na devida ocasião). A semelhança de o ondulações no 'Mar de Dirac' (Paul Dirac / matemático francês).

          Essa manifestação inicia-se no plano do espírito (mente / elemento ar/espadas) e se projeta, direcionada pela vontade, no plano energético (coração / elemento água/copas). Ao agregar energia durante uma imersão nesse plano, os excessos energéticos se acumulam e  extravasam, gerando "movimentos" no plano comportamental (braços, pernas, pescoço, língua e orelhas / elemento fogo/paus ou bastões). São os processos que caracterizam e compõe qualquer vida. Assim enquanto durar a energia que foi agregada pelo indivíduo (o ser aí) em sua imersão na fonte inconsciente do "amor/paixão" durante sua criação, decorrerá a sua vida ou existência individual. Desse limitado quantum de energia e enquanto durar seu processo natural de decaimento (esvaziamento), é disso que decorre a vida de qualquer vivente, seja humano ou não humano (o ser aí, o joão, a maria, o "rex", os "rin-tin-tins", a baleia, uma arara, as bactérias, bacilos e virus, centopéias, teiús e lacraús). E esse movimento de vida ocorre sempre no plano material/social (corpo corpos / elemento ouros/moedas).

          Então em corolário podemos aceitar e entender que quando o amor dos pais e mães for uma ondulação intensa ou quando for fraca nos deixará como herança um maior ou menor quantum energético total. Ele é nosso "cacife" no jogo da vida. Mas como o usaremos depende do foco de nossa própria vontade. Há o livre arbítrio que define a direção de nosso foco, porém estamos limitados por nossa manifestação ter forma humana e ocorrer imersa na realidade do mundo dos homens. Assim podemos sonhar e cantar unicórnios, golfinhos, fadas e goblins, borboletas, abelhas e formigas, fungos e cogumelos, colossus e hals 9000, dragões e até rastejadores, mas sempre na língua dos homens. E mesmo que seja muito "duro" permanecer na forma humana, comprimindo nossa infinitude nos limites dessa forma! É nosso destino trovar como homens, sempre...

          O trovado (pequeno conto publicado neste blog) conta o mergulho de nossa alma estelar, de um infinito no alto da montanha até  a chegada cuidadosa no mundo humano, a Terra!


          Muito bem temperado e inteligível, embora imprevisível e incompreensível para maioria dos meninos...



quinta-feira, 3 de abril de 2014

Cubo


Meus sonhos são meu alento
Submeter-me à sociedade é meu maior tormento
Tristeza de discordar e, ainda assim, pertencer
O que mais posso eu fazer?
Já nado contra a corrente
Não me adapto
Não me encaixo
Sou um cubo de infinitos lados


(Flavia Alves)


--

Imagem: deviantART


terça-feira, 1 de abril de 2014

Ente lírico


Caminhos que bifurcam, encontro
Arqueiro de sonhos, encanto
Possibilidades de jornadas, novo conto
Ente lírico de verso, eu canto

Serás sonho ou ilusão?
Será destino... nova canção?
Sintonias de tantas facetas...
Onde estarão as diferenças?
Adoçarão nossas bocas
...ou trarão breves tormentas?

Trata-se de escolha, afinal
Interesse, curiosidade, disposição
Possibilidades que só se tornarão realidade
...com o querer libertar a emoção


(Flavia Alves)