domingo, 30 de março de 2014

Trovado



Havia uma agitação no ar. Os jogos iriam começar. O espaço era ilimitado e no que poderia ser um horizonte, havia um nascer de galáxias, estrelas e vastos vazios celestes. Eram universos.

A primeira prova, era, como de praxe, controlar um corpo. Um frágil corpo... Ser o corpo. Desta vez eu tinha escolhido um cavalo. Belo, livre, indomado. Eu teria que descer pela espiral de escadas. Saltar, como sempre, o abismo infinito e tocar o mármore antigo. Os limites físicos são sempre complicados e há que se ter cautela com o nível de energia direcionado.

Era a minha vez. Eu era a amplidão e era o cavalo claro que saltava em arco. Um salto quase perfeito... Um pouco angustiante sentir-me limitada. Mas sentir o pulsar do coração, a corrida, o ar; fazia a experiência ser única. Sempre é.

Um desequilíbrio ao chegar nas escadarias de mármores fez com que eu fosse obrigada a estar mais no corpo criado do que na infinitude. Desci. E continuei descendo, com maior graça e desenvoltura... Era uma questão de hábito efêmero. Mas é hábito.

Ao chegar ao final das escadas espirais, ali estava ela. A Terra.

Sem pensar, assumi uma forma humana. Estava nua. Havia cartas de tarô espalhadas aos meus pés... Cartas curiosas, pois marcavam arcanos de ambos os lados. Peguei uma... Fixei o olhar na imagem. Li o que era um pedaço de frase, virei e terminei de ler.

Acordei.

"Trovado é tão imprevisível porque é muito temperável."




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