segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Poesias mortas III

(arte: deviantART)

Estas poesias não deveriam existir... 
Mas, o que posso dizer, é que finalmente elas estão silenciando em mim.
E isto é libertador.

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"Sublimação"

Saber é uma coisa
Encarar é outra
Olhar causa impacto
Ver será a minha libertação

A ausência provoca saudade
A saudade provoca dor
E neste exaustivo presente
Você escolheu outro amor

Não devo pensar no futuro
Prossigo, sozinha, meu caminhar
Lamento a amizade perdida
Não irei mais, contigo, sonhar

Tarefa quase impossível, confesso
Será este amor sublimar
Abrir meu coração para o destino
Esquecer de você... meu menino

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"Dimensão"

Em outro universo ou dimensão
Estamos juntos, eu e você...
Talvez meus sonhos lá se originem
Não nos falta amor, coragem ou querer

Aqui escolho não mais lembrar
De que me adianta este tão profundo amar?
Peço aos deuses para meu coração calar
Apenas livre poderei neste mundo caminhar

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"O que me resta" (uma parte de mim)

Soube que você finalmente voltou a amar
Ou, se de fato me amou, decidiu assumir o sonhar
Não sei o que sentir
As águas em mim parecem tumultuadas
...enchente
Penso no que seríamos e jamais seremos
Lembro do que tivemos e não voltaremos a ter
Meu corpo grita pelo seu
Meu coração sangra novamente
A saudade enlouquece meus sentidos
...entorpece a minha mente
Suspiro.
Respiro.
Medito.
Nada posso fazer.
Só me resta expurgar esta dor
Só me resta esquecer você
...meu amor

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"Frio"

O frio das águas do mar faz meu corpo tremer
Olho para o horizonte
...lembro, novamente, de você
Encontro novas conchas sob as ondas e as areias
As suas em silêncio perpétuo estão
...e ficarão
O sol se põe, belo, altivo, laranja e rosa
A solidão, mesmo cercada de quem me ama
...se faz presente em cada verso e prosa

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"Confronto"

Diante do espelho
Foco em meus olhos escuros
Estão secos hoje, cansados
Respiro a angústia
...de ainda sentir um fio de esperança
Considero-me tola
...ingênua como uma criança
Seguro as águas, mornas, nas mãos
Fecho os olhos, breve escuridão
Lavo o corpo, esfrio o desejo
Perene e indesejada paixão
Olho o teto, rolo na cama
...tento dormir
Não quero sonhar
Seu fantasma me persegue
...sua memória a me atormentar

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"Silêncio"

Preferia não saber do seu amor
Rejeitado, renegado, abortado
Seria melhor pensar que a minha semente
...simplesmente não tinha brotado

Mas, por escolha sua
Com suas mãos nuas
Você arrancou nosso broto
...rancor!
E no abismo do tempo e do medo
...um belo sentimento jogou

Tolo!
...gritou minh'alma em silêncio
Covarde!
...esbravejou, magoado, meu coração
Não faça isso!
...implorei para você.

Implorei.

Tola esperança...

Morre a amizade. Agoniza o meu amor.

E perplexa, eu sigo
Atordoada com a sua decisão
...sua
Cansada de lhe amar, confesso
Com vazio e angústia em meu olhar
...meu

Sentirá você a minha falta?
Pergunta vazia
...oca.
Silêncio perpétuo.

Ausência como resposta

Silêncio


(Flavia Alves)











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