terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Poesias mortas II

(deviantART)



Estas poesias não deveriam existir.
Mas existem... Estão sendo expurgadas de meu coração e de minha alma.
Busco o 'não lembrar', busco o silêncio interior, busco me amar mais do que ficar presa ao passado breve e ao futuro que jamais será.

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"Véu"

O futuro seria nosso
Os sonhos teriam sentido
A busca seria cessada
Teu corpo seria meu abrigo
Teu espírito, minha morada
Meu olhar teria um cúmplice
Meu abraço, retribuído
Os desejos seriam saciados
...nos braços de meu melhor amigo
Teus sonhos seriam os meus
Todos os meus, teus
Lutaríamos um pelo outro
Sem dor, sem hiato, sem oposto
Mas cego, tu estás
E rejeitas o amor e o amar
Escolhes deliberadamente a solidão
...por ti e por mim

Morre o nosso sonhar

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"Tormenta"

Um véu de ilusão
embota o meu olhar
A solidão cruel
provoca meu despertar
Escolheria você
...sempre. Sem hesitar
Mas não posso por você escolher
E sua escolha destrói o meu sonhar
Embriagada escrevo a dor
De tanto desafeto, descuidado e desamor
Choro, lamento...
Não suporto mais este tormento.

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Eu quero lhe esquecer
Preciso sobreviver
Não posso mais lhe querer
Como sublimar você?

Se amo de forma tão profunda
...que cala a alma, o coração retumba
O que faço com este amor?
Que só me traz lágrima e dor...

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Não quero mais chorar
Não quero mais lembrar
Não quero mais sentir
Não quero mais...

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Rejeito o desamor
...a covardia e o medo
Rejeito o meu rancor
...o desalento e a dor

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"Basta"

Saudade que me devasta a alma
Cala-te! Imploro sem calma
Basta de tanto tormento!
Basta de lágrimas e de lamentos!
Futuro: Engole minha calma!
Cala de uma vez, esperança de minh'alma!
Cruel tormento... 
Cala-te coração! 
Não existe escolha!
Não existe razão!
Não existe amor e nem emoção!
Cala-te de uma só vez!
...ou irei enlouquecer.
Basta!

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"Merecimento"

Mereço mais, eu sei
Do que tudo o que você foi capaz de oferecer
Mereço cuidados, mereço carinho
Mereço a chance de um novo ninho
Mereço tempo, mereço afeto
Mereço amizade e desejo sincero
Por que sou tanto...
...intensa sou
Mereço amar e mereço amor

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"Presentes rejeitados"

Esta caneta era sua, para seus poemas
Presente que você rejeitou
Não é nada...
Se o amor, fora, você jogou

O caderno de ondas e águas
Resiste na estante da sala
Parece mais um fantasma
Me lembra da dor e me cala

As conchas imóveis me mostram
Sua rejeição, desafeto e desamor
Tudo parece desbotado e perdido
Tudo isso me provoca dor



(Flavia Alves)






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