domingo, 27 de outubro de 2013

Tsurus dourados


Caminhava, aos prantos, pela sala vazia. No chão havia várias dobraduras de papel, amassadas, rasgadas. Todas elas eram feitas de papel dourado... Eram tsurus.

Com o coração descompassado, ainda chorando muito, fui recolhendo alguns deles, enchendo as mãos. E havia sangue em minhas mãos. Secando minhas lágrimas, notei que o sangue era meu. Minhas lágrimas eram da cor do rubi.

Sentindo uma vertigem crescente, fui até a janela, escancarando-a... O céu azul, estava turvado por uma vermelhidão, mas eu não conseguia parar de chorar. Minha respiração estava descompassada e parecia que o ar não entrava, não era suficiente.

Revoltada, em um ápice de desesperança, joguei os tsurus dourados para o ar, pela janela... Para o dia límpido que não combinava com a angústia tempestuosa de minha alma.

Foi com uma força que não tenho com este corpo humano.

As dobraduras foram longe... Ficaram pequenas, distantes. Mas eu as via, apesar do meu pranto e dor. E diante dos meus olhos, elas começaram a mudar. As rasgadas foram ficando inteiras, e o brilho do sol silenciosamente fazia aquele fulgor dourado cintilar todas as cores.

Os tsurus começaram a voar.

E voltaram na minha direção, provocando em mim um sorriso totalmente incrédulo e atônito.

Respirei.

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Os tsurus dourados são os sonhos.
A vida, muitas vezes, os rasga e amassa...
Mas a sua luz pode consertá-los, mudá-los, fazê-los voar.
E cintilar todas as cores do seu coração e de sua alma.


Não devemos desistir de sonhar...



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