segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ano Novo



Mãos entrelaçadas na multidão
Estrelas feitas pelos homens, nas mãos
Cores, barulhos, rolhas, mar e emoção
Primeiro beijo, esperança, caminhos para o coração

(Flavia Alves)


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Este, obviamente, foi escrito logo após a virada do ano...
É antigo.




domingo, 27 de outubro de 2013

Tsurus dourados


Caminhava, aos prantos, pela sala vazia. No chão havia várias dobraduras de papel, amassadas, rasgadas. Todas elas eram feitas de papel dourado... Eram tsurus.

Com o coração descompassado, ainda chorando muito, fui recolhendo alguns deles, enchendo as mãos. E havia sangue em minhas mãos. Secando minhas lágrimas, notei que o sangue era meu. Minhas lágrimas eram da cor do rubi.

Sentindo uma vertigem crescente, fui até a janela, escancarando-a... O céu azul, estava turvado por uma vermelhidão, mas eu não conseguia parar de chorar. Minha respiração estava descompassada e parecia que o ar não entrava, não era suficiente.

Revoltada, em um ápice de desesperança, joguei os tsurus dourados para o ar, pela janela... Para o dia límpido que não combinava com a angústia tempestuosa de minha alma.

Foi com uma força que não tenho com este corpo humano.

As dobraduras foram longe... Ficaram pequenas, distantes. Mas eu as via, apesar do meu pranto e dor. E diante dos meus olhos, elas começaram a mudar. As rasgadas foram ficando inteiras, e o brilho do sol silenciosamente fazia aquele fulgor dourado cintilar todas as cores.

Os tsurus começaram a voar.

E voltaram na minha direção, provocando em mim um sorriso totalmente incrédulo e atônito.

Respirei.

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Os tsurus dourados são os sonhos.
A vida, muitas vezes, os rasga e amassa...
Mas a sua luz pode consertá-los, mudá-los, fazê-los voar.
E cintilar todas as cores do seu coração e de sua alma.


Não devemos desistir de sonhar...



Quase


Nos seus gestos, beijos, calor e quase afeto...
Meu descompasso, eu quase, quase acerto.
Rir faz transbordar a minha alma. 
Rir com você por perto. Quase perto...


(Flavia Alves)


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O Querer


Dois somos, entre realidade e sonho, nudez... Suor

Enlace de dedos, cabelos, peles, dança de corpos... Um nó

Saciez do fulgor, impetuosidade desmedida, tensão e gozo... Ardor

Eixos deslocados, equilíbrio desequilibrado, pressa pelo sabor... Prazer

Jornada retomada, hiato silenciado, inegável anseio... Querer

Obscenidades cedidas, almejadas, fantasias intensas e quentes... Poder



(Flavia Alves)




quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Espelho



Esfinge do meu viver
Possível amor, novo amanhecer
O que seus olhos querem me dizer?
Por que suas ações contradizem você?

Como esperar o tempo certo?
Se meu coração quer meu amor declamar...
O que devo fazer com este inesperado sentimento?
Que foi impossível impedir o brotar

Os sonhos que emergem da minha alma
Mostram cenas confusas de outrora
Quais são as ligações escondidas que temos?
Por que não são mais importantes agora?

Só resta a mim, em meu amor confiar
Preciso entregar minhas palavras ao silêncio
Devo acalmar a minha saudade de nosso futuro
E esperar pelo seu sinal, pelo seu tempo


(Flavia Alves)



Esta poesia foi escrita há muitos meses atrás e agora é parte do meu passado.
O título original não é este.



terça-feira, 22 de outubro de 2013

O Ser



Caminhando prossigo a jornada, atordoada com as traquinagens da vida
Atormentada pelo inesperado, escolho afinal parar de tentar compreender
Os caminhos são muitos, assim como são as decisões e encruzilhadas
Será aquilo que tiver que ser... Escolho o Agora, o hoje, o aprendizado e o viver

(Flavia Alves)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Decreto



"Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.

Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem."

Santiago do Chile, abril de 1964 
Tiago de Mello


Que assim seja.




segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O Ver





O Ver

Os laços que entrelaçam sem apertar
A loucura, ora controlada, ora livre
O afeto, a amizade, o amor
As memórias e o viver

A pena da Águia, o sol
O sopro da montanha, o pé de vento
A mesa, o besouro, o cachorro
O mato e o olho d'água

O tropeço, os avisos
O fumo, as ervas, o ungüento
A água, a cachaça, a comida
As chaves e o farol

O Medo
A Clareza
O Poder
A velhice e a Morte

A última dança
O último toque
O olhar e o Ver
A luz em mim e em você


(Flavia Alves)

domingo, 6 de outubro de 2013

Anjo azul



A manhã trouxe uma brisa fria, que fez secar as minhas lágrimas

Um raio de sol passou a aquecer meu coração confuso, com tantos sentimentos inesperados

Guardarei as memórias do pouco e intenso conviver, diáfanas imagens e sons

Um gosto do que poderia vir a ser, mas os moldes não permitem exercer

Sorriso sincero, cheiro bom e confortador, calor da pele e do desejo, ardor

Tons de pinturas, notas de violão, salada e arroz, vinho, café e pão

Olhos azuis, estrela singela, olhos de céu, quase um anjo bom... Gratidão.