segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Minha busca

(arte de Kimea Jam)


Seja lá quem você for
Não demore pra chegar, meu amor
Tenho sede dos seus beijos
Tenho fome do seu afeto
Tenho carências e desejos
Quero você por perto
Não demore, alma minha
Venha logo me abraçar
Me enlaça, me ilumina
Eu só quero amar
Não demore, alma minha
A vida é breve, a saudade, devagar
Deixa eu contigo sonhar (seus, meus e nossos sonhos)
Seus projetos, apoiar
Preciso do seu colo abrigo
Quero logo meu melhor amigo
Minhas mãos querem lhe tocar
Quero me perder no seu olhar
Não demore, alma minha...
Façamos da vida, um sonhar


(Flavia Alves)






Outro poema... de outrem

(deviantART)


"Estou indo para outro lugar: levo minha falta de jeito, o abraço contido, o poema desfeito, esse espaço desistido de saber o que fazer contigo.

Estou indo para outra direção: escolha incerta no momento da bifurcação. E as mãos desatadas, palavras cansadas, silêncio que já não quer dizer nada.

Estou indo para outra paisagem levando comigo seja o que for: vantagem ou desvantagem.

Correndo apressada da falta de amor.

Estou indo por outro caminho: suporto o espinho e agradeço a flor."


(Marla de Queiroz)


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Alforria

(deviantART)


Amei.
Fiz o meu melhor.
Escolhi o desejo,
que você saciou.
Escolhi o amor,
que você rejeitou.
Escolhi a saudade.
Escolhi a dor.
Agora escolho a paz...
Escolho a mim.
Escolho me amar,
me proteger, me preservar.
Escolho cantar e dançar.
Escolho viver.
Eu escolho afinal
viver sem você.
Sem contigo sonhar...
Escolho não mais lembrar.
Escolho a libertação.
Libero o desejo...
Libero o amor...
Libero a saudade
e libero a dor.

Eu escolho afinal minha abolição.


(Flavia Alves)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pequenos poemas

(deviantART)


A distância dilacera o coração e a alma
Saudades do que eu não vivi nesta vida...
Memórias que atormentam, fragmentadas
Afeto sincero perdido... Esperança soterrada

*  *  *

Danço com Kali
Assim transformo a minha dor
Não temo mais a chuva
Sou luz, esperança e amor

*  *  *

Amor a me guiar
Sonhar sem hesitar
Urgência de transformação
Luz que emada do coração

*  *  *

Crescer através do errar
Vergonha seria não chorar
O segredo está em transformar
A escolha do sublimar


(Flavia Alves)


Diamante

(deviantART)

É estranho ter que sublimar o sentir...
No meu céu um diamante deixou de existir
Meu coração reclama, chora e argumenta
Minha alma, mais poesias inventa

Sei lá o que fazer com este amor
Sei menos ainda o que fazer com o desejo
Por dentro, um furacão de saudades eu sinto
E nada posso fazer ou falar... Devo calar? Minto?

Novamente escuto músicas e acendo incensos
Custo a dormir, sonhar virou um tormento...
Quase tudo me lembra você e nós dois
E este poema mais parece com um lamento


(Flavia Alves)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Almejar o amar


Viajar entre o real e o sonhar
Idas, vindas, soltar e enlaçar
Degraus, trilhas e jornadas
Almejar, do amor, a chegada...

(Flavia Alves)



Cegueira

(deviantART)


Mistura de emoções, dor
Onde buscar nos sonhos o amor?
Raros encontros de vidas, preciosos são
Tolo é aquele que não escuta seu coração
E sela na sua certeza, a vida... Cega clareza.

(Flavia Alves)



Essência


Exausta estou...
Mente, alma e corpo.
O corpo, dormir resolve.
A mente? Difícil calar.
A alma... O que fazer com ela?
Parece cansada, mas segue sua essência
infinitamente,
dolorosamente,
decididamente.
A alma ama.


(Flavia Alves)





Poesias

(deviantART)


Poesias me enlaçam, me arrebatam, me tiram o ar.
Não tomo jeito... Não tem jeito.
Algumas nem arranham a minha superfície...
Outras, me reviram completamente do avesso.

(Flavia Alves)



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Renascimento

(deviantART)

Já estive em tantas encruzilhadas, bifurcações de tantos caminhos...
Fiz da estrada minha morada... E do caminhar, meu destino.
Encarei espelhos e oráculos.
Mudei e transformei conceitos.
Fiz, agi. Não tentei.
Alma escoteira, o melhor possível sempre pareceu pouco.
E tropecei. Errei. Chorei... 
Me larguei. 
Abandonei o amor por mim em algum trecho de alguma trilha que tomei.
Afundei e mergulhei em minha alma.
Parei de lutar... pelo menos por agora.
Pelo menos agora, permito que as águas turvas me envolvam.
Lama. Escuridão. Incerteza.
Chego ao meu limite.
Olho para a superfície distante... mal consigo enxergá-la.
O ar começa a rarear... Os pulmões começam a arder.
O instinto de sobreviver emerge com força.
Meus músculos doem.
Sinto cãibras. 
Dor. 
Nenhuma dor é maior do que a que lateja no coração.
Tolo é o outro...
Mais tola eu por amá-lo.
Tolice maior por não me amar.
Súbitamente, como uma corrente elétrica, abro bem os olhos e sinto meu corpo novamente...
Não posso respirar na água... Não mais. Não nesta existência.
Inclino e toco o fundo lodoso com os pés.
Dobro as pernas e me impulsiono.
Dou algumas braçadas... Vou conseguir. Estou conseguindo.
No lodo e na lama, ficam turvos os sonhos que ousei sonhar.
Na escuridão das águas fica o meu pranto, a minha dor... Fica o amor.
Passado.
Chego na superfície... finalmente.
O ar que já não existia em mim, invade meu corpo e me deixa atordoada.
A luz do sol quase me cega... 
Boiando nas águas de mim mesma, vou acalmando a respiração e olhando o céu acima... Tão azul. Tão belo.
Estou deitada na areia morna, na relva macia, nos meus braços.
Estou nua para o mundo.
Mas isso não importa mais...
Minha sinceridade, visceral, é parte de mim mesma.
O carinho por quem amo e amarei, é igualmente essência de mim...
Tinha tudo para ser amarga... 
Mas, não sou.
Não importam os tropeços...
Serei o que sou. Mudarei quando tiver que mudar.
E viverei.
E renascerei.
E amarei novamente.
Mas, desta vez, amarei primeiro a mulher do espelho.







segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Aprendendo a dançar

(arte de Sagit, deviantART)

Ergo o olhar para o horizonte.
Subo a montanha com o pensamento...
Vejo.
Respiro.
Minha mente vaga entre o ter e o voar. 
Entre o estar e o Ser.
Diante da tempestade, danço.
Diante do tsunami, mergulho.
No centro de mim mesma, encontro minha sala vazia.
Escura, sem teto, com as estrelas e constelações do universo.
As chamas da fogueira vão do amarelo ao violeta.
O perdão torna-se a minha libertação.
Os grilhões estalam e rompem...
Crisálida em minha alma.
A menina em meu coração sorri, ao finalmente compreender a dança de Kali.
Estou aprendendo a dançar.



domingo, 15 de dezembro de 2013

Dragões


Filha ansiada, elo de amor
Eternas lembranças, suave calor
Reluzente presença em meu coração
Na alma, na vida, inspiração
Anjo lilás, força, bálsamo e lar
Nuvem breve, dança, amizade, sonhar
Desenhos, dragões, elos de bem-querer
A saudade é perene... Somos UM, eu e você


(Flavia Alves)



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Águas


Águas dos rios, escolhas...
Transformação

Vento que sopra e leva...
Metamorfose

Impermanência como verdade...
Saudade

(Flavia Alves)



quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Hiato


Nova encruzilhada diante de mim
Difícil e dolorosa decisão
Será novo hiato ou derradeira separação?
Aperta a saudade, chora o coração

Sufoco o amor e o desejo que sinto
Esforço supremo de os sublimar
Respiro, suspiro, me falta o ar
Represo as lágrimas, desejando o abraçar

A tempestade volta a cair incessante
Janelas arrancadas novamente
O vento gela a minha alma docemente
E arranca do meu peito a esperança semente...

(Flavia Alves)



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Ciclos


Dias...
Que passam, alternam
e sucedem
Encontros e desencontros
Distância
Ausência... e dor

Meses...
Que voam, arrastam
e carregam
Desencontros e encontros
Enlaces
Presença... e calor

Um ano...
Ciclos, desejo
e amizade
Reencontro de tantas vidas
Destino
Escolhas... e amor


(Flavia Alves)



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O sonho... A arara, a coruja e a garça.

Tive um sonho há alguns meses atrás... Eu e dois amigos estávamos em um lugar muito claro. Havia uma construção ao longe com muitas janelas, todas de madeira clara e vidro. Havia luz por todos os lados. A construção era harmônica e nas paredes da casa podíamos ver hera e flores.

Sentamos sob uma grande árvore e eu sentia uma profunda conexão com ambos. A natureza ao redor era muito suave... Não era um gramado. Havia plantas das mais diversas. Tudo era muito colorido, ao mesmo tempo, as cores não eram agressivas, eram suaves, apesar de nítidas. Como tudo era muito iluminado, não sei dizer se existia uma estrela, como o sol, nos céus.

Perto da árvore, onde sentamos, havia um riacho muito cristalino, de águas rápidas, com uma espécie de banco de areia perto. Quase uma praia de rio. Não sei se o nome correto é este.

Para chamar a atenção de meus seres amados sobre o que era necessário ser dito, eu passei a chamar pássaros dos mais diversos, que vinham e pousavam em nossos braços. Todos estávamos descalços e usávamos roupas claras.

A arara de barriga amarela era linda. Ela estava feliz e foi ela que ficou nos braços de meu amigo. Era grande, com cores fortes e as plumagens perfeitas. Os olhos eram vivos, brilhantes e curiosos... A coruja ficou com minha amiga. Ela era pequena, marrom e branca, com as penas bastante delineadas. Não se parece com nenhuma coruja que eu já tenha visto. A garça era branca, elegante, com plumagem suave. Parecia irradiar uma luz tênue. Não sei descrever isso. Ela ficou perto, no centro do círculo, recebendo nosso carinho e depois voou.

Por alguma razão que não sei racionalizar, depois de algum tempo eu levantei e abri os meus braços. Comecei a entoar uma canção que era ao mesmo tempo uma oração... E dos céus, veio uma luz intensa, e desceu um vulto diáfano e aparentemente feminino.

Eu olhei para os dois e tudo sumiu em um clarão de luz enquanto palavras eram ditas através de mim. Não era eu.

Acordei tremendo incontrolavelmente e escrevi o texto abaixo.



"Meus amados,

Estamos aqui neste mundo com um objetivo muito grande e bastante sério. Este objetivo tem sido ignorado durante milênios e a humanidade se perdeu em superficialidades, criando caminhos que não estão conectados com as forças maiores que regem este universo.

Enquanto homens, estamos focados demais nas culturas que criamos, nas roupas que usamos, no dinheiro que inventamos, nas aparências, nas profissões e em sonhos que não estão em uníssono com nossos espíritos.

Nós somos luz.

Somos filhos das estrelas e parte do próprio universo. Estamos todos, conectados, profundamente conectados uns aos outros e ligados à cada ser, cada árvore, cada rio, cada gota do mar ou cada grão de areia. Somos, de fato, como muitos dizem, UM.

Até mesmo nossas criações, sejam elas feitas com propósitos maiores e mais elevados, ou não; recebem nossas energias, nossas essências, e assim, são também parte de nós mesmos, parte das energias deste planeta e deste sistema.

Não estamos aqui para sermos alguém em especial. Não estamos aqui para nos destacarmos. Não estamos aqui para ganharmos dinheiro. E todos os caminhos diante de nós são infinitos. Repito, amados, infinitos.

Estamos aqui para amar.

E é através deste amor, que é a única chance que temos de salvarmos este planeta, a nossa e as demais espécies; que podemos e iremos transformar o mundo.

Todos os dons estão dentro de nós. Todos os conhecimentos estão adormecidos em nossas almas. Precisamos apenas focar no que importa, no que é real, no que é necessário e é urgente.

Tenham a certeza que não estamos sós.

Tenham a certeza na imortalidade do espírito.

Foquem no amor.

Somos luz, paz e amor. Sejamos."






* ARARA:
É a medicina do arco-íris. Para rituais de cura, preces e para evocar a energia do Sol. Para conexão com o poder de cura das cores (cromoterapia). Ponte entre o reino dos pássaros e o homem. Ajuda no senso de diplomacia. Excelente para trabalhar a retórica, comunicação com o público, palestras, aulas, apresentações, etc. Sabe a hora de romper com sua  roupas velhas, pois tira as próprias penas para dar lugar a novas.


* CORUJA:
A sabedoria sustentada na interiorização. É a medicina das habilidades ocultas, sabedoria antiga, a vigília. Para descobrir verdades ocultas, mistérios, intuição profunda. Evocar para auxílio nos obstáculos que impedem a presença de seus talentos e habilidades. Para que seus talentos se apresentem de acordo com a situação. Para aceitação do lado escuro (sombras) da realidade. Também para a benevolência. Evocar quando quiser conhecer o lado sutil da consciência, áreas inexploradas da consciência. Para discernimento da verdade, do que nós estamos buscando. Ligação com a lua. Para conhecer as sombras, poderes psíquicos, habilidades ocultas. Para melhor observar, prestar atenção. É o símbolo da sabedoria. Tem a capacidade de desvendar o oculto e o inconsciente. Conhecedora dos mistérios, nos permite vencer o temor e aprender a qualidade da consciência do existir em todos os níveis e do fluir. Por ver na escuridão, sua qualidade também está no ultrapassar as limitações do perceptível, mostrando-nos as diversas realidades, da qual o mundo material é apenas uma parte. A energia da coruja é simbolicamente associada com clarividência, projeção astral e magia. Ela pode ver o que não vemos, e isso é a essência da verdadeira sabedoria. A coruja é chamada de águia noturna em muitas rodas medicinais nativas. Tradicionalmente, a coruja senta no leste, o lugar da iluminação. A coruja pode trazer mensagens para você à noite, através dos sonhos ou meditação.


* GARÇA : 
Longevidade, criação a partir do focar, confiança, limites, exploração, auto-estima, equilibrando suas múltiplas tarefas, dignidade. Magia. Leveza. Mudança. GARÇA, O RENASCER ALADO DA FÊNIX. O mais poderoso animal do totemismo e da mitologia, a Garça/Fênix vem de longe, de civilizações remotas e simboliza a alma humana que se incendeia para renascer. Dona do seu ninho, de suas fontes, é a criatura da majestade. É o dom da palavra vestida de mistério, que vem do coração de fogo e da voz alada. A graça da garça convive com a força da ressurreição, por isso sua poesia é intenso recomeçar. O poder da Fênix/Garça sobre o Sol retira de seus raios as asas que se projetam dos eclipses, dos eventos da magia, das inúmeras portas para outros mundos. Ela Inventa o dia e no crepúsculo se consome para voltar na manhã seguinte. Como a poesia que aparentemente se liberta, virando cinza do verbo, ela assume tudo o que está em volta, vestindo o manto sagrado da inspiração, esse sopro divino outorgado aos mortais. Ela domina a luz e o fogo que tomam conta das criaturas vivas. Submete os ventos e com eles compõem abraços cíclicos, que cobrem toda a terra. O olhar da Garça/Fênix é o deslumbramento da paisagem de um mundo lavado de toda dor e pronto para um novo despertar. Como animal de poder, sua missão será a de: TRANSFORMAR. A ti será concedido o poder de: RENASCER. Terás o dom da INSPIRAÇÃO.



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Esfinge


Se falo demais, você se afasta
Se nada falo, silencia
Se digo que amo, paralisa
Se demonstro, se irrita
Se fico quieta, me procura
Se silencio, me provoca
Se choro, mudo fica
Se parto, me enlaça

Suas palavras me encantam
Seu silêncio me angustia
Fala por enigmas...
E eu, perdida fico

Seu coração, eu não decifro


(Flavia Alves)



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Linhas


Linhas que não traduzem o sentir
Ver além do viver, além do olhar
Certo e errado podem não existir
Quando a realidade se confunde com o sonhar


(Flavia Alves)



quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ilusão



Sinceridade não é tudo.
Amar não é suficiente...
Quisera controlar meu coração.
Tola, minha, ilusão...

(Flavia Alves)




terça-feira, 26 de novembro de 2013

Confissão

(deviantART)

Quis para mim o seu amor
Sonhei, chorei, gemi, sorri... sem dor
No sonho, o brilho do seu olhar era meu
E meu abraço mais intenso, seu.

Desejei suas memórias despertar
Movida apenas pela esperança
Ou então mais sementes tentar plantar
Mas nosso amor é apenas antiga lembrança

Minha convicção enfraqueceu
O ciúme provocou isso em mim
Se meu amor desvaneceu?
Não... Ele é incondicional, enfim.


(Flavia Alves)



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Reflexões sobre a impermanência



Eu realmente acredito na impermanência... No fato, inegável, que tudo e todos mudamos sempre. Não há como evitar isso (e eu nem quero evitar). E sigo lembrando das mandalas de areias coloridas dos monges budistas e foco as minhas emoções nas águas de Heráclito.

Cada um só pode ser aquilo que é. Cada mudança emerge apenas de dentro para fora... Assim, sigo sendo o que sou. Mudando quando ocorrem as mudanças em mim. Crescendo e me lapidando. Errando e buscando acertar. Faço o meu melhor, não estou "tentando" nada. Estou fazendo. Estou mantendo a mente aberta. Estou atenta aos sinais do universo, da vida e dos meus caminhos.

Qual é o problema afinal? Somos pessoas demais. Simples assim.


Primeira pessoa do plural.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Espirais



Cachos em espirais emolduram a sua face
Amálgama de seu corpo, de seu espírito e de sua luz
Riso e sorriso, como ecos e vozes do coração
Olhar terno e forte, plena e meiga compreensão
Libertação tão ansiada, emoção intensa que regula e conduz
Incondicional amizade, belo, sublime e eterno amor
Ninho, alento, porto, sopro e alicerce do viver
Anos, milênios, vidas... Histórias do nosso bem-querer


(Flavia Alves)




sábado, 9 de novembro de 2013

Fechando os olhos...


Caminho no meio da multidão
A solidão, ao meu lado, abala o meu sonhar
Fecho os olhos tentando não racionalizar
no quanto eu queria fazer meu tsuru voar...


(Flavia Alves)


Engolindo beijos


Confesso, não sei bem o que fazer
com os beijos que quero e não posso lhe dar
Tento disfarçá-los com sorrisos
Os engulo entre risadas e o sonhar

A vontade de lhe abraçar e enlaçar
é ainda mais difícil de sublimar
Controlo meu corpo, desejo, minha energia enfim...
Mas a verdade é que trago você em mim

E sua presença ora quente, ora morna
aquece meu coração e minha alma
Quase esqueço nosso acordo e suas regras
Aflora meu amor e a paixão quase me atropela

Meu alento é saber que culpa não tenho
nenhuma sobre esta incontrolável emoção
Ninguém pode realmente prever o futuro
E nem você mandar em seu coração...


(Flavia Alves)



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Cirandas



(pintura de Alexandra Levasseur)


Cirandas de palavras, de atitudes, de sonhos e de emoções
Respirar torna-se tarefa estranha, quando emerge o espanto inevitável
Espelho de tantas jornadas, ecos de vidas passadas, mãos atadas...
Sons esquecidos, memórias fragmentadas, informações incompletas
Castigo será esta consciência? Ou é destino descobrir e saber?
Enlaces diáfanos e breves, desejo e estranheza, confusos sentir e querer...
Reflexão necessária... O não-racionalizar. O que devo fazer com o amar?


(Flavia Alves)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Mergulho



Não adianta. Não sei viver de outra forma...
Mergulho.
Tenho medo, mas a coragem é maior e eu o enfrento.
E me entrego.

"Não é fácil nadar no mar.
Mesmo que você seja capaz de atravessar as ondas, o que haverá além delas?
Todos os tipos de criaturas; peixes grandes e pequenos.
Seus próprios pensamentos e traços indesejáveis de personalidade.
Coisas velhas que aparecem na frente de você.
Se isso acontecer, não fique afetado ou distraído com elas.
Tenha coragem.
Vá além de tudo isso ao praticar a consciência de ser uma alma.
A medida que você mergulha fundo, maravilhas são encontradas."

(Brahma Kumaris)

--

Foto: Mahafsoun (Devianart)


Nostalgia


Mais uma noite sozinha com o meu silêncio
Escuto músicas e mantras, danço, canto...
As águas caem incessantes na noite escura e fria
Sentimentos afloram, maltratam, nostalgia
Procuro aquecer meu corpo, mas a alma reclama
Os cobertores não impedem o emergir de sua lembrança.

(Flavia Alves)

---


Esta poesia foi escrita em abril de 2013



segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ano Novo



Mãos entrelaçadas na multidão
Estrelas feitas pelos homens, nas mãos
Cores, barulhos, rolhas, mar e emoção
Primeiro beijo, esperança, caminhos para o coração

(Flavia Alves)


--

Este, obviamente, foi escrito logo após a virada do ano...
É antigo.




domingo, 27 de outubro de 2013

Tsurus dourados


Caminhava, aos prantos, pela sala vazia. No chão havia várias dobraduras de papel, amassadas, rasgadas. Todas elas eram feitas de papel dourado... Eram tsurus.

Com o coração descompassado, ainda chorando muito, fui recolhendo alguns deles, enchendo as mãos. E havia sangue em minhas mãos. Secando minhas lágrimas, notei que o sangue era meu. Minhas lágrimas eram da cor do rubi.

Sentindo uma vertigem crescente, fui até a janela, escancarando-a... O céu azul, estava turvado por uma vermelhidão, mas eu não conseguia parar de chorar. Minha respiração estava descompassada e parecia que o ar não entrava, não era suficiente.

Revoltada, em um ápice de desesperança, joguei os tsurus dourados para o ar, pela janela... Para o dia límpido que não combinava com a angústia tempestuosa de minha alma.

Foi com uma força que não tenho com este corpo humano.

As dobraduras foram longe... Ficaram pequenas, distantes. Mas eu as via, apesar do meu pranto e dor. E diante dos meus olhos, elas começaram a mudar. As rasgadas foram ficando inteiras, e o brilho do sol silenciosamente fazia aquele fulgor dourado cintilar todas as cores.

Os tsurus começaram a voar.

E voltaram na minha direção, provocando em mim um sorriso totalmente incrédulo e atônito.

Respirei.

---

Os tsurus dourados são os sonhos.
A vida, muitas vezes, os rasga e amassa...
Mas a sua luz pode consertá-los, mudá-los, fazê-los voar.
E cintilar todas as cores do seu coração e de sua alma.


Não devemos desistir de sonhar...



Quase


Nos seus gestos, beijos, calor e quase afeto...
Meu descompasso, eu quase, quase acerto.
Rir faz transbordar a minha alma. 
Rir com você por perto. Quase perto...


(Flavia Alves)


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O Querer


Dois somos, entre realidade e sonho, nudez... Suor

Enlace de dedos, cabelos, peles, dança de corpos... Um nó

Saciez do fulgor, impetuosidade desmedida, tensão e gozo... Ardor

Eixos deslocados, equilíbrio desequilibrado, pressa pelo sabor... Prazer

Jornada retomada, hiato silenciado, inegável anseio... Querer

Obscenidades cedidas, almejadas, fantasias intensas e quentes... Poder



(Flavia Alves)




quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Espelho



Esfinge do meu viver
Possível amor, novo amanhecer
O que seus olhos querem me dizer?
Por que suas ações contradizem você?

Como esperar o tempo certo?
Se meu coração quer meu amor declamar...
O que devo fazer com este inesperado sentimento?
Que foi impossível impedir o brotar

Os sonhos que emergem da minha alma
Mostram cenas confusas de outrora
Quais são as ligações escondidas que temos?
Por que não são mais importantes agora?

Só resta a mim, em meu amor confiar
Preciso entregar minhas palavras ao silêncio
Devo acalmar a minha saudade de nosso futuro
E esperar pelo seu sinal, pelo seu tempo


(Flavia Alves)



Esta poesia foi escrita há muitos meses atrás e agora é parte do meu passado.
O título original não é este.



terça-feira, 22 de outubro de 2013

O Ser



Caminhando prossigo a jornada, atordoada com as traquinagens da vida
Atormentada pelo inesperado, escolho afinal parar de tentar compreender
Os caminhos são muitos, assim como são as decisões e encruzilhadas
Será aquilo que tiver que ser... Escolho o Agora, o hoje, o aprendizado e o viver

(Flavia Alves)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Decreto



"Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.

Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem."

Santiago do Chile, abril de 1964 
Tiago de Mello


Que assim seja.




segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O Ver





O Ver

Os laços que entrelaçam sem apertar
A loucura, ora controlada, ora livre
O afeto, a amizade, o amor
As memórias e o viver

A pena da Águia, o sol
O sopro da montanha, o pé de vento
A mesa, o besouro, o cachorro
O mato e o olho d'água

O tropeço, os avisos
O fumo, as ervas, o ungüento
A água, a cachaça, a comida
As chaves e o farol

O Medo
A Clareza
O Poder
A velhice e a Morte

A última dança
O último toque
O olhar e o Ver
A luz em mim e em você


(Flavia Alves)

domingo, 6 de outubro de 2013

Anjo azul



A manhã trouxe uma brisa fria, que fez secar as minhas lágrimas

Um raio de sol passou a aquecer meu coração confuso, com tantos sentimentos inesperados

Guardarei as memórias do pouco e intenso conviver, diáfanas imagens e sons

Um gosto do que poderia vir a ser, mas os moldes não permitem exercer

Sorriso sincero, cheiro bom e confortador, calor da pele e do desejo, ardor

Tons de pinturas, notas de violão, salada e arroz, vinho, café e pão

Olhos azuis, estrela singela, olhos de céu, quase um anjo bom... Gratidão.





terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Escolhas




A vida é feita de escolhas... Estamos diante de encruzilhadas o tempo todo. E escolhemos os nossos caminhos e assim, trilhamos as nossas jornadas.

O ponto é: Podemos mudar de ideia? Sim, podemos. Podemos inclusive rever decisões, voltar atrás e escolher outros rumos.

A complicação aparece na verdade incontestável que não somos e nem estamos sós. Somos seres sociais... Nossas vidas estão interligadas com as vidas das pessoas que nos rodeiam, dos seres que amamos e dos que nem mesmo conhecemos. Tudo está conectado. Todos estamos.

Lidar com o fato da imprevisibilidade do outro é complicado. Não temos telepatia (ainda) e sinto que o diálogo e a sinceridade são essenciais para que possamos construir pontes e superar os abismos aparentes e ilusórios.

Ou, em último caso, podemos tentar saltar estes espaços, arriscando nossas certezas não tão imutáveis assim...

E quem sabe, sermos mais plenos e felizes.





domingo, 10 de fevereiro de 2013

Palavras de Drummond


"Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.

Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional..."

(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Jay Ganesha!



Om Gam Ganapataye Namaha!

"Saudações à Ganesha – aquele que remove os obstáculos.
Senhor do conhecimento e de todos os seres, filho de Shiva e Parvati!"