quinta-feira, 14 de junho de 2012

Saudades do futuro



Nem sei se eu deveria escrever sobre isso, mas, como é uma forma de desabafo, lá vai...

Estou sufocada pela solidão. E não, não adianta eu afirmar para mim mesma: "Nascemos sozinhos e morreremos sozinhos". Em primeiro lugar não concordo com esta frase. Ou melhor, concordo apenas parcialmente.

Acredito que seja uma opção doentia de nossa sociedade impôr a solidão uns aos outros! É opcional e sempre foi. Como ninguém parece perceber isso?

Em minha utopia interior não existem fronteiras, os círculos são amplos e interagem o tempo todo. Você não pertence apenas ao círculo de sua família de nascimento... Sua mãe não é apenas a mulher que te trouxe à este mundo ou a que te criou. Todos somos filhos e pais. Todos somos irmãos e temos ligações reais de energia e espírito uns com os outros.

Em minha utopia interior você não possui seus objetos, sua casa ou seus pertences. Não! Lá dentro de mim,  os objetos existem para serem compartilhados. Aliás, sempre coloquei isso em prática... Se uma amiga minha, ao olhar meus brincos por exemplo, se encantava por algum, eu não tinha dúvidas, colocava a peça em suas mãos e dizia: "Leva". Fiz isso tantas vezes, com tantas coisas diferentes que nem saberia descrever.

Em minha utopia interior, as casas são como ninhos. Ninhos que deveriam ser coletivos.

Complicado descrever o que penso e como eu acredito que deveria ser a humanidade. Como eu odeio o capitalismo! Aliás, é uma das poucas coisas que odeio, e odeio com consciência. Sou anarquista. Não acredito em propriedade privada, nem nesta exploração descarada que ocorre década após decada em nosso mundo: A exploração do trabalho alheio. 

No documentário "Home", de 2010, um dado me chamou a atenção (não só um, mas vou usar este exemplo): 20% da população mundial consome 80% dos recursos da Terra. O que me faz lembrar de um professor de sociologia que tive na USP. Ele afirmou (logo na primeira aula), que o dinheiro existente, na verdade, não existia; e que a "riqueza" do nosso mundo poderia ser dividida igualmente entre todos os seres humanos em um valor "x" (ok, congele os nascimentos por um instante e acompanhe o raciocínio). Se existe apenas um "x" para cada ser humano na Terra... Como podemos explicar que alguém tenha "2 x"? Ou "10 x"? Ou "100 x"? Parece óbvio, mas não é para a maioria das pessoas! Para que alguém tenha "2 x", alguém ficou sem nada! Imaginem os outros números.

Enfim... ia falar de minha solidão e acabei me desviando.

Voltando ao foco. É a primeira vez que fico sozinha em casa. Primeira vez mesmo. Não em 15 anos... Não em 20 anos. É a primeira vez que fico totalmente sozinha (ou quase - tenho minhas gatinhas). A explicação? Minha filha viajou, eu me separei recentemente e antes disso nunca tinha ficado sozinha. Simples assim.

Lidar com isso não é fácil e nem é simples. O eco do silêncio incomoda demais, e por mais que eu coloque músicas para disfarçar este sentimento, o silêncio está lá, entre os segundos de um verso e outro, entre o dedilhar das cordas do violão da música escolhida e a escolha de uma nova canção.

Para terminar este pequeno desabafo, continuo sentindo saudades do que eu não vivi (há dias me sinto assim). Segundo um conhecido e meu pai, que são astrólogos, esta saudade estranha é um bom sinal para mim: Sol em Urano. Por mais que eu não compreenda o que isso realmente quer dizer, sinto um certo alívio que a palavra "ainda" entra na frase, logo depois de "vivi".

Minhas saudades são saudades do meu futuro...

Preciso me preparar para ele, serenando meu coração e abrindo meu espírito para meu próprio destino.



terça-feira, 12 de junho de 2012

Afeto e Respeito


"Mesmo quando nos envolvemos numa conversa normal no dia a dia, se alguém fala com calor humano, nós temos prazer em ouvir e respondemos no mesmo tom; toda a troca de ideias se torna prazerosa, não importa qual seja o tema.
No entanto, se uma pessoa se expressa com frieza ou secura, sentimos desconforto e desejamos pôr logo um fim àquele encontro. 
Do mais insignificante ao mais importante acontecimento, o afeto e o respeito dos outros são vitais para nossa felicidade."

(Dalai Lama)