sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sobre expectativas...




Criando Expectativas


Texto de Elisabeth Cavalcante


Um dos caminhos mais eficazes para a frustração é criar expectativas. É da natureza da mente esperar que algo muito desejado aconteça rapidamente.
E, quando vivemos de modo inconsciente, não conseguimos perceber este jogo que nos leva sempre a esperar pela realização urgente de nossas esperanças e a sentir uma grande decepção quando elas não se concretizam.

Visto que não temos o poder de determinar a vontade e as atitudes alheias, torna-se impossível que possamos ter garantida a realização de todas as nossas expectativas.

Nas relações afetivas é onde este tipo de engano mais acontece, pois sempre projetamos no outro nossos desejos e esperamos ansiosamente que ele os satisfaça plenamente. Quando isto não ocorre, a reação é de revolta, pois nos sentimos traídos por aquele que não preencheu nossas expectativas.

Viver uma vida consciente pressupõe, antes de tudo, aprender a perceber quando estas ilusões começam a se formar em nossa mente e aceitar o fato de que não temos o dom de manipular a realidade para que ela se amolde ao nosso desejo.

A partir daí, tudo começa a fluir num novo ritmo. Passamos a nos relacionar de modo realista, enxergando o outro exatamente como ele é, sem qualquer fantasia ou ilusão.

Além disso, se torna possível aceitar, com tranquilidade, que nem sempre a realidade corresponderá aos nossos anseios, por mais que lutemos para isto.
Então, o bom senso e a sabedoria podem, finalmente, tomar o lugar da angústia, da ansiedade e do desespero.

Este não é um aprendizado fácil, mas é, sem dúvida, essencial para que nos libertemos do sofrimento criado por nossa própria mente, que insiste em nos manter prisioneiros da ilusão. A felicidade só se torna possível quando pudermos perceber o quanto nossas próprias expectativas criam a maioria das frustrações que experimentamos ao longo da vida.

...Vocês estão todos vivendo em sombras. Vocês pensam, vocês projetam, vocês imaginam, vocês sonham... Vocês vivem em sombras, em suas esperanças. O que vocês têm ganho com suas esperanças? Apenas imaginação vazia que amanhã algo acontecerá, que não aconteceu agora, e vocês sentem-se preenchidos. E nunca acontece. O que acontece amanhã é a morte – e a morte cria medo pela simples razão de que vocês não estão conscientes.

O medo da morte é que tira o futuro de suas mãos. E vocês têm estado vivendo no futuro em sua imaginação, e a morte vem e põe uma parada: não mais amanhã. A existência não tem obrigação de preencher seus desejos e suas esperanças.
As pessoas esperam algo, nunca preenchido. Há sempre frustração ao redor. As pessoas estão vivendo em desespero, e a razão é que o que elas esperam... a existência não tem desejo, não tem razão para ir de acordo com as suas expectativas. Se você quer ser feliz, vá de acordo com a existência, onde quer que ela leve você.

Eis o que significa let-go: você simplesmente joga suas projeções, suas imaginações. E deixa a existência tomar conta de sua vida inteira. Então, não há desespero, porque não há possibilidade de tornar-se frustrado. Não há angústia e não há ansiedade, você está relaxado com a existência. O que quer que aconteça... é bom.

...Toda a existência é mais sábia do que eu, então o que quer que aconteça...
Não permaneça afastado, contra a existência, seja parte e sinta uma certa unidade.

...O significado é que o que quer que aconteça é bom. Você tem que achar a beleza disto e a alegria disto... Somente um homem de let-go não é enganado por nada. Ele toma tudo como vem, feliz e alegremente. E se as coisas mudam, ele permite a mudança sem qualquer obstáculo, sem criar barreira para prevenir a mudança.

...Tudo é como deveria ser. Então, pacificamente estão as montanhas na noite de lua cheia... estão em paz, dançando na lua cheia... Tudo é silêncio e paz. Não há frustração nas montanhas, não há frustração nos rios...

...O homem também pode ser tão feliz como as montanhas e tão pacífico como os rios, se ele olhar para a lua e as cercanias sem qualquer mente. Sem pensar, ele também se tornará parte de toda a cena.

Mas ele permanece sempre preocupado com suas próprias idéias estúpidas. Quando toda a existência está se regojizando, somente o homem está preocupado.
Você já viu uma árvore preocupada? Os animais também nunca estão preocupados. Mesmo na morte, morrem pacificamente. Pois, como tudo na existência, o que nasceu deverá morrer.

Mas a mente do homem perturba, sempre cria problemas - porque espera que as coisas sejam diferentes do que elas são. Ele não está pronto para aceitar a natureza da existência, ele a quer de acordo com ele. Este, de acordo com ele, é toda a miséria.

Todo mundo está tentando que tudo seja de acordo consigo. Um pode dizer, outro pode não dizer - mas mesmo sem dizê-lo, sua mente está tramando pensamentos de que as coisas deveriam ser trazidas de acordo com a sua idéia - e isto é impossível.

Você não pode mudar a existência. Tudo o que você pode fazer... você pode abandonar sua mente.
OSHO - Rinzai: Master of the Irrational

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Escolha

(pintura de Rebecca Guay)

Algumas vezes a vida escolhe os caminhos para cada um de nós. Não que não possamos interferir, pois podemos. Mas, como me disseram alguns amigos queridos, diante das tempestades não temos outra alternativa: Precisamos continuar caminhando.

Eu escolho sorrir ao invés de chorar. Não que eu não chore, pois eu choro. Mas prefiro sorrir. Prefiro escolher a esperança e o amor. 

Sinto que estou cercada de amigos, de amor, de possibilidades (algumas lindas) e estou plena de vida. As estradas e caminhos que trilhamos podem ser surpreendentes e inesperados... Ainda bem!

Que haja luz e paz em nossos caminhos.




segunda-feira, 2 de julho de 2012

Escuridão


Mais mudanças.
Estou imersa na mais completa escuridão e sinto medo.
Não tenho nenhuma alternativa além de prosseguir o meu caminhar...
Combato o primeiro inimigo novamente, e irei combatê-lo muitas vezes antes de executar minha última dança.
Diante das encruzilhadas e dos trechos que machucam meu espírito, paro, respiro e supero meus limites, ou pelo menos o que eu acreditava que eram os meus limites.
Estou só.
Meus amigos me rodeiam, me oferecem alicerce e suporte...
Mas estou só.

E estou vivendo o meu maior medo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Saudades do futuro



Nem sei se eu deveria escrever sobre isso, mas, como é uma forma de desabafo, lá vai...

Estou sufocada pela solidão. E não, não adianta eu afirmar para mim mesma: "Nascemos sozinhos e morreremos sozinhos". Em primeiro lugar não concordo com esta frase. Ou melhor, concordo apenas parcialmente.

Acredito que seja uma opção doentia de nossa sociedade impôr a solidão uns aos outros! É opcional e sempre foi. Como ninguém parece perceber isso?

Em minha utopia interior não existem fronteiras, os círculos são amplos e interagem o tempo todo. Você não pertence apenas ao círculo de sua família de nascimento... Sua mãe não é apenas a mulher que te trouxe à este mundo ou a que te criou. Todos somos filhos e pais. Todos somos irmãos e temos ligações reais de energia e espírito uns com os outros.

Em minha utopia interior você não possui seus objetos, sua casa ou seus pertences. Não! Lá dentro de mim,  os objetos existem para serem compartilhados. Aliás, sempre coloquei isso em prática... Se uma amiga minha, ao olhar meus brincos por exemplo, se encantava por algum, eu não tinha dúvidas, colocava a peça em suas mãos e dizia: "Leva". Fiz isso tantas vezes, com tantas coisas diferentes que nem saberia descrever.

Em minha utopia interior, as casas são como ninhos. Ninhos que deveriam ser coletivos.

Complicado descrever o que penso e como eu acredito que deveria ser a humanidade. Como eu odeio o capitalismo! Aliás, é uma das poucas coisas que odeio, e odeio com consciência. Sou anarquista. Não acredito em propriedade privada, nem nesta exploração descarada que ocorre década após decada em nosso mundo: A exploração do trabalho alheio. 

No documentário "Home", de 2010, um dado me chamou a atenção (não só um, mas vou usar este exemplo): 20% da população mundial consome 80% dos recursos da Terra. O que me faz lembrar de um professor de sociologia que tive na USP. Ele afirmou (logo na primeira aula), que o dinheiro existente, na verdade, não existia; e que a "riqueza" do nosso mundo poderia ser dividida igualmente entre todos os seres humanos em um valor "x" (ok, congele os nascimentos por um instante e acompanhe o raciocínio). Se existe apenas um "x" para cada ser humano na Terra... Como podemos explicar que alguém tenha "2 x"? Ou "10 x"? Ou "100 x"? Parece óbvio, mas não é para a maioria das pessoas! Para que alguém tenha "2 x", alguém ficou sem nada! Imaginem os outros números.

Enfim... ia falar de minha solidão e acabei me desviando.

Voltando ao foco. É a primeira vez que fico sozinha em casa. Primeira vez mesmo. Não em 15 anos... Não em 20 anos. É a primeira vez que fico totalmente sozinha (ou quase - tenho minhas gatinhas). A explicação? Minha filha viajou, eu me separei recentemente e antes disso nunca tinha ficado sozinha. Simples assim.

Lidar com isso não é fácil e nem é simples. O eco do silêncio incomoda demais, e por mais que eu coloque músicas para disfarçar este sentimento, o silêncio está lá, entre os segundos de um verso e outro, entre o dedilhar das cordas do violão da música escolhida e a escolha de uma nova canção.

Para terminar este pequeno desabafo, continuo sentindo saudades do que eu não vivi (há dias me sinto assim). Segundo um conhecido e meu pai, que são astrólogos, esta saudade estranha é um bom sinal para mim: Sol em Urano. Por mais que eu não compreenda o que isso realmente quer dizer, sinto um certo alívio que a palavra "ainda" entra na frase, logo depois de "vivi".

Minhas saudades são saudades do meu futuro...

Preciso me preparar para ele, serenando meu coração e abrindo meu espírito para meu próprio destino.



terça-feira, 12 de junho de 2012

Afeto e Respeito


"Mesmo quando nos envolvemos numa conversa normal no dia a dia, se alguém fala com calor humano, nós temos prazer em ouvir e respondemos no mesmo tom; toda a troca de ideias se torna prazerosa, não importa qual seja o tema.
No entanto, se uma pessoa se expressa com frieza ou secura, sentimos desconforto e desejamos pôr logo um fim àquele encontro. 
Do mais insignificante ao mais importante acontecimento, o afeto e o respeito dos outros são vitais para nossa felicidade."

(Dalai Lama)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Tempestade do Destino

"Kali vem quando quer, não pede permissão e no final, depois de toda a tormenta, nem acreditamos que a ela agradecemos." (Marthinha Nunes)

"Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo.

Esta tempestade és tu.

Algo que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.

E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros.

E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido."

(Haruki Murakami, in 'Kafka à Beira-Mar'
)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Renascer


Hoje estou sentindo uma leveza que poderia ser capaz de voar.

Grata aos meus amigos (todos eles) por me carregarem na fase mais difícil de minha vida.

Meu renascer começa hoje.






terça-feira, 17 de abril de 2012

Regras para SER Humano




Regras para SER Humano
 (texto de Chérie Carter-Scott)

"Você receberá um corpo.
Pode gostar dele ou odiá-lo, mas ele será seu durante essa rodada.

Você aprenderá lições.
Você está matriculado numa escola informal, de período integral, chamada vida. A cada dia, nessa escola, você terá a oportunidade de aprender lições. Você poderá gostar das lições ou considerá-las irrelevantes ou estúpidas.

Não existem erros, apenas lições.
O crescimento é um processo de tentativa e erro: experimentação. As experiências que não dão certo fazem parte do processo, assim como as bem sucedidas.

Cada lição será repetida até que seja aprendida.
Cada lição será apresentada a você de diversas maneira, até que a tenha aprendido. Quando isso ocorrer, você poderá passar para a seguinte. O aprendizado nunca termina.

Não existe nenhuma parte da vida que não contenha lições.
Se você está vivo, há lições para aprender.


'Lá' não é melhor do que 'aqui'.
Quando o seu 'lá' se tornar em 'aqui', você simplesmente entenderá que o melhor é viver o 'aqui' e 'agora'.

Os outros são apenas seus espelhos.
Você não pode amar ou detestar algo em outra pessoa, a menos que isso reflita algo que você ama ou detesta em si mesmo.

O que fizer de sua vida é responsabilidade sua.
Você tem todos os recursos de que necessita. O que fará com eles é de sua responsabilidade. A escolha é sua.

As respostas estão dentro de você.
Tudo o que tem a fazer é meditar, analisar, ouvir e acreditar."


terça-feira, 20 de março de 2012

Outono



Chega o outono... Tantas mudanças aconteceram e tantas ainda estão por vir.

A luz está diferente, reflete nas águas de forma mais intensa.

O ar noturno está mais fresco.

O calor já começa a se distanciar, para dar lugar ao clima mais ameno, típico da estação.

É o tempo da colheita, dos laranjas, marrons e verdes. É o tempo de trocar as folhas, despir-se do passado e viver o instante, o presente e a Vida.

É tempo de renascer.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O mantra da Cura



Om Mani Padme Hum







Que minha alma possa se curar e superar toda a ilusão da dor...
Que meu espírito possa se libertar e ser LIVRE.






sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sobre o perdão...


Um amigo querido me passou um pequeno texto que, se compreendido e almejado, nos conduz para a libertação de nossos corações e espíritos.


"Eu perdôo à tudo e à todos, inclusive à mim mesmo."

E uma amiga, que tem um coração lindo, postou hoje um link de um blog que explica mais sobre o perdão... O texto é maravilhoso e irei reproduzi-lo aqui, neste e-mail, pois alcançar o verdadeiro perdão de tudo e de todos, é o que eu mais preciso neste momento da minha jornada na Terra.


"Os fios da nossa vida

Toda vez que amamos uma pessoa lançamos, por assim dizer, um fio de nossa energia sobre ela, o que cria uma conexão viva entre os dois campos vibratórios, mesmo à distância. Dessa forma, sentimos quando ela não está bem ou quando pensa em nós intensamente.
Projetamos esse fio de conexão também sobre os amigos, as pessoas que gostamos, os projetos que temos; toda vez que nos identificamos com alguém e alguma coisa, lançamos nela uma parte de nossa energia, criando o vínculo.
Da mesma forma, quando odiamos alguém ou temos medo de algo, também nos ligamos energeticamente, mesmo sem querer. Quantas vezes ouvimos falar de pessoas que durante anos e anos ficaram presas entre si pelo ódio, sempre realimentado, sem conseguir seguir adiante na sua vida…
As situações mal resolvidas no passado formam muitas vezes uma rede de fios que carregamos nas costas (à imagem dos cães que arrastam na neve os trenós nos países gelados ) – continuamos arrastando as lembranças e culpas pela vida afora – e empenhando tanta energia nisso que pouco sobra para estarmos disponíveis para o presente. Ficamos, literalmente, amarrados ao passado.
Vivemos, assim, em meio a uma rede de fios que nos liga às pessoas, situações, ideais, medos, lembranças e esperanças.
Esse vínculo pode ser muito prazeroso em certas situações, como quando amamos; mas quando o contato termina, muitas vezes sentimos que uma parte de nós ficou com o outro. Embora estejamos nos referindo aos sonhos e expectativas, isso ocorre realmente em termos energéticos.
É necessário puxar o fio de volta, resgatar a energia que ficou projetada sobre o outro, e Integrá-la novamente em si mesmo. Voltar a estar inteiro.
O perdão é uma forma de fazer isso. Ao perdoar o outro, abrimos mão de toda expectativa lançada sobre ele e com isso trazemos de volta toda a nossa energia que com ele estava – seja sob a forma de amor, mágoa, raiva ou desejo de vingança. Ao liberar o outro, nos libertamos também.
Da mesma forma, ao resolvermos internamente alguma situação do passado – aceitando as coisas da forma como aconteceram, mesmo que não tenha sido da maneira como esperávamos – recebemos de volta a energia lá investida e que até aí estava paralisada.
Ao fazer isso, fecha-se a brecha, e nos tornamos mais completos novamente. O que o outro faz não nos afeta mais. O que aconteceu é passado. Nos tornamos mais atentos ao presente. E, principalmente, mais disponíveis para a vida."
(Sonia Weil) 


Link para o blog original:


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Conversando com Poliana...





Hoje escrevi muito, conversando com uma amiga muito querida... Decidi postar no blog a nossa conversa, pois nela está um resumo de minhas crenças pessoais...

Texto da Poli:
...você pode comentar comigo algo sobre isso? ..."Dois planos de percepção da realidade: Se, no plano e no nível de nossos cinco sentidos, o mundo da dualidade é percebido como real, esta realidade desaparece no plano da microfísica; o eu e o outro, o eu e o objeto - compreendendo o mundo inanimado - fazem parte, na realidade, de uma mesma energia; tudo indica que essa energia tem uma fonte única. Cabe aqui uma comparação budista. Há as ondas e o mar; nós somos as ondas; cada um de nós é uma onda que olha para outra onda; resulta disso a ilusão de sermos separados uns dos outros; as ondas nascem, existem e morrem; elas voltam ao mar, Assim, nossa percepção da dualidade e da multiplicidade da vida quotidiana é, no plano da microfísica, uma ilusão." Pierre Weil.


Minha resposta:

Eu não tenho uma religião definida, mas acredito em algo maior, acredito em um todo que originou o Universo e cada ser vivo na Terra. Gosto demais do budismo e de sua filosofia... Somos UM? Sim, somos o mar. Temos ligações com cada ser neste planeta, com cada árvore, cada animal, cada floco de neve, com o vento que passa e com o brilho do sol nas águas.
Toda a matéria que existe no sistema solar, em nosso planeta Terra, se originou do nosso Sol, que por sua vez teve seu nascimento na origem da via láctea. Muitas transformações não mudam o fato que TODA a matéria do nosso planeta, desde os nossos corpos até um simples copo plástico, teve origem na poeira das estrelas... Na mesma matéria que formou nosso sol e todo o sistema solar. Somos, todos, filhos das estrelas... Mesmo nossas criações humanas, como objetos de uso cotidiano, nosso lixo, nossa mais bela criação como uma pintura... Tudo, todos nós, temos a mesma origem e, fisicamente, teremos o mesmo destino: O retorno à origem.

Eu acredito em reencarnação, e acredito que temos um centro de consciência (não é o nosso ego)... Nisso eu me afasto do budismo. Acredito nesta unidade, pois tive experiências de recordações de vidas passadas, assim como pude estar com o meu avô e vê-lo, acordada e lúcida, após sua morte. Já tive visões, sonhos que aconteceram e outros eventos que me provaram que existe vida além da morte... E acredito, por tudo isso, que a morte é apenas uma transformação de estado. Deixamos de lado este corpo físico (que nos é emprestado da matéria do Universo) e voltamos a ser quem somos de fato... Ou melhor, jamais deixamos de ser. O que acontece é que nossos corpos ainda são muito brutos, muito grosseiros, impedem que alcancemos nossos verdadeiros potenciais, nos limitam aos cinco sentidos e como nossa sociedade ainda é muito atrasada (acredito em vida extraterrestre), acabamos limitados por nossas culturas, nossas supertições, nossas crenças ou falta delas.

Outra coisa que eu acredito é o destino. Meu avô tinha uma metáfora muito perfeita para isso... Ele dizia que nossas vidas na Terra são dádivas e são oportunidades de crescimento espiritual. E que algumas coisas escolhemos, e outras não podemos escolher. Eu não curto muito literalmente o espiritismo Kardecista porque em geral, ele é uma bela justificativa para as diferenças sociais e grandes injustiças do capitalismo... Mas algumas de suas afirmações, aos meus olhos, são muito verdadeiras. Vamos à metáfora: A vida na Terra é como se você ganhasse um apartamento novo. Tem as paredes e as janelas (destino), que você não poderá alterar... Porém, toda a decoração, os móveis, os livros, o zelo... serão de sua responsabilidade. ;)
Outra coisa que me prova que existe a reencarnação é o fato de existirem laços profundos e inexplicáveis entre pessoas que acabaram de se conhecer (e isso existe!). Ainda falando de meu avô, ele contava uma história fantástica! Um dia, ele andando pelo centro do Rio, ainda em sua mocidade, encontrou um homem cujo rosto era familiar. Os dois se cumprimentaram e foram tomar um café juntos. Conversaram durante horas! Até que, quando estavam se despedindo, perguntaram (sem jeito) o nome um do outro. Então começaram a buscar em suas memórias de onde podiam ter se conhecido... E ambos ficaram surpresos com as evidências: NÃO tinham se conhecido nesta vida. Mas se tornaram amigos. :D

Uma boa metáfora para a minha crença pessoal (vc vai achar graça), mas é a "Força", dos filmes de Star Wars. Somos a força, somos energia. TUDO é energia. Esta energia maior nos mantém a vida, mantém nossos corpos, está dentro de nós e ao nosso redor... Está em cada pedra, cada árvore, cada ser vivo. Está em nossas histórias de vidas e em nosso futuro. Somos UM, e ao mesmo tempo somos únicos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Visita ao Santuário das Fadas


Neste final de semana estivemos visitando o "Santuário das Fadas" (www.santuariodasfadas.org). É um local de respeito e amor... E todos os animais ali são protegidos, sem exceção. Muitos são resgatados de situações ruins, de maus tratos e exploração... Todos ali tem muita sorte.


Gostaria de compatilhar com vocês esta experiência, chamando-os com todo o meu amor para uma reflexão: Nós não precisamos comer e nem usar os animais. Podemos ter saúde e uma vida plena, sem provocarmos sofrimento, morte e dor (sim, quando comemos carne estamos indiretamente matando - pagando para alguém fazer isso).



  (Patricia, fundadora do Santuário das Fadas)






Reflitam com serenidade e compaixão... Estes seres tem sentimentos, são nossos irmãos e merecem viver.  

Pela ABOLIÇÃO da escravidão animal.

Libertação!






sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

There is no try.


Do, or do not. There is no try.
(Yoda)


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Este caminho tem coração?


Carlos Catañeda escreveu em um de seus livros, as palavras de Don Juan:

“… Tudo é um entre um milhão de caminhos. Portanto, você deve sempre manter em mente que um caminho não é mais do que um caminho; se achar que não deve seguí-lo, não deve permanecer nele, sob nenhuma circunstância. Para ter uma clareza dessas, é preciso levar uma vida disciplinada. Só então você saberá que qualquer caminho não passa de um caminho, e não há afronta, para si nem para os outros, em largá-lo se é isso que o seu coração lhe manda fazer.

Mas sua decisão de continuar no caminho ou largá-lo deve ser isenta de medo e de ambição. Eu lhe aviso. Olhe bem para cada caminho, e com propósito. Experimente-o tantas vezes quanto achar necessário. Depois, pergunte-se, e só a si, uma coisa. Essa pergunta é uma que só os muito velhos fazem. Dir-lhe-ei qual é: esse caminho tem coração?

Todos os caminhos são os mesmos; não conduzem a lugar algum. São caminhos que atravessam o mato, ou que entram no mato. Em minha vida posso dizer que já passei por caminhos compridos, mas não estou em lugar algum. A pergunta de meu benfeitor agora tem um significado. Esse caminho tem um coração? Se tiver, o caminho é bom; se não tiver, não presta. Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma; mas um tem coração e o outro não. Um torna a viagem alegre; enquanto você o seguir, será um com ele. O outro o fará maldizer a sua vida. Um o torna forte, o outro o enfraquece.”

Então. O caminho que você escolheu para sua vida, tem um coração? O seu coração?

“Nós não nos damos conta de que podemos cortar qualquer coisa de nossas vidas, a qualquer momento, num piscar de olhos”.

(Carlos Castañeda em "Viagem a Ixtlan")



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Encruzilhada


Algumas vezes em nossas vidas, nos deparamos com encruzilhadas.

O que acontece com nossos corações, ao sabermos que certas decisões nos guiarão por caminhos sem retorno? Que estas escolhas são difíceis e são definitivas?

Já não sou nenhuma criança e as opções que tenho diante de mim, transtornam meu coração e a tulmutuam a minha mente. Razão e emoção em conflito total... Devo permanecer no caminho que sigo, ou devo tomar outro rumo?

Jamais me senti tão dividida como agora. Uma parte de mim quer ir até o final... Outra parte, cansada, quer novos ares, ares que tragam alento da opressão vigente em minha vida. Uma parte de mim, delira, e pensa que tem todo tempo do mundo para transformar o mundo... Outra parte sabe que não... E olha, e vê, e chora.

"Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?"

(trecho da música "Traduzir-se", do Fagner)

Não é uma simples divisão de partes iguais, mente e coração. O coração está dividido também, revoltado, reclama e chora dos tímidos passos que penso em arriscar. E olho, vejo, sinto. Minha alma se contorce em dúvidas... "Deveria ser mais simples na sua idade", digo para o espelho. "Nunca é fácil abrir mão dos sonhos", respondo para mim mesma.

Sim... Escolher um caminho agora, significa diretamente abrir mão de sonhos... E o pior, sonhos que não sonhei sozinha. Sonhei coletivamente, com amigos e irmãos ao longo desta jornada na Terra.

Será medo de decepcioná-los? Será medo de falhar? Ou será que o medo está no caminho íngreme e árduo à minha direita? O caminho do lado esquerdo parece mais fácil e mais suave? Será que estou inventando coisas para mim mesma?

Fecho os olhos com força e respiro fundo. Minha decisão precisa ser tomada em definitivo e os minutos se transformam em horas, e as horas, em dias... Meu tempo está acabando.