terça-feira, 11 de outubro de 2011

As palavras de Aru Re

"- Apenas uma máquina! - gritou Paul, revoltando-se contra a impossível realidade. - És apenas uma máquina. Um monte de aço tão alto quanto o céu, enrolado em volta de um computador paranóico - Tentou dominar-se, mas não pôde reter os soluços - Mentiroso! Impostor! Maldito monte de lata!

- Sim, sou uma máquina - retorquiu a voz de Aru Re, na sua cabeça - mas sou maior do que a soma das minhas partes. Sou uma máquina que vive. Porque sou o guardião e o portador da semente, sou imortal. Sou maior do que os homens que me conceberam, ainda que eles também fossem grandes.

- Uma máquina! - balbuciou Paul, desesperado - Uma máquina maldita e inútil!

A voz não o deixava em paz:

- E que dizer de Paul Marlowe, viajante da Gloria Mundi, cidadão por condescendência de Baya Nor, Poul Mer Lo, o mestre? Não és uma máquina? Uma máquina de carne, osso e sonhos?"


(trecho do livro "Ave Marciana", de Edmund Cooper. O nome original é "A Far Sunset" e no livro, um dos momentos mais bonitos é quando Paul, o personagem principal, observa um pôr do sol... Que é na verdade a estrela Altair)

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