terça-feira, 25 de outubro de 2011

A arte de viver nos tempos atuais - Palestra do Trigueirinho


Em um trecho desta palestra, o Trigueirinho fala sobre mães e filhos. Ele é um pouco duro nas palavras, mas sem dúvida era o que eu precisava escutar... Para despertar.

Não está sendo fácil. Nem um pouco.

Mas talvez seja uma das poucas vantagens de estarmos humanos: Nós sempre nos adaptamos quando é realmente necessário.


O amor permanece. Ele é e sempre será eterno.

* * *

Trecho da palestra:

"Enquanto você está considerando alguém TEU filho, você, mesmo que não queira, não vai passar de um egoísta. Desculpem as mães e os pais... Mas enquanto vocês pronunciarem estes termos: MEU filho, MINHA filha, vocês estão sendo egoístas. Ninguém é de vocês. Ninguém é meu. Ninguém é teu. Não existe isso.
Na realidade, todos nós vimos da mesma fonte.
E se você tem um filho, e não o aceita, você não tem outra coisa que fazer senão entregá-lo àquilo que o criou! Por que quem nos criou, não foi quem nos gerou. Quem nos criou não foi quem nos concebeu. O que nos criou está muito além desta Terra... O que nos criou está muito além deste Universo. Como você pode dizer que tem um filho que não aceita? Que filho que você TEM? De quem que você é dona? Isso, que veio à Luz através de você... Você chama isso de TEU filho? Por que, nós podemos prestar o serviço de possibilitar um corpo para uma alma, mas isso é um serviço, isso não é uma posse! Isso não é TEU! Se aquilo não viesse criado de lá, se aquilo não viesse estimulado do alto... Você não teria coisa nenhuma, você não teria coisa alguma no teu útero. Como pode dizer que é TEU filho? E ainda mais não aceitá-lo!
Eu sei que isso são coisas muito complicadas para um pessoa normal. Mas tem horas que a necessidade de LIBERTAÇÃO na pessoa é tão grande, que de repente pode haver um lapso e entrar uma luz na mente normal e a mente normal se iluminar.
Quer dizer... de fato! O que que eu tenho a ver com isso? Será que meu trabalho não terminou? Já foi gerado no meu útero, já foi posto fora, eu já amamentei, já alimentei, eu já ensinei a andar, já está andando, já está pensando, já está vivendo... O que eu estou fazendo aqui agora? O que que eu estou querendo prolongar além da conta? E sabe o que acontece na realidade? É que você fica... Você se prolongando. E ao invés de fazer uma experiência materna, e feita a experiência materna, dar os seus passos evolutivos por ter passado por aquela experiência materna, você continua 'mamãe' pelo resto da vida. Olha que beleza... (risadas da platéia)
Dar a luz a alguém e continuar 'mamãe' para sempre. Olha que evolução. É como aquelas rodas de carroça que eram quadradas.
(...)
Vocês vêem porque a Terra tem que estremecer? Porque a Terra tem que sacudir? Eu não estou falando da pessoa, heim? Estou falando da mentalidade. Estou falando da superstição, da ignorância. Não estou falando de pessoas."


terça-feira, 11 de outubro de 2011

As palavras de Aru Re

"- Apenas uma máquina! - gritou Paul, revoltando-se contra a impossível realidade. - És apenas uma máquina. Um monte de aço tão alto quanto o céu, enrolado em volta de um computador paranóico - Tentou dominar-se, mas não pôde reter os soluços - Mentiroso! Impostor! Maldito monte de lata!

- Sim, sou uma máquina - retorquiu a voz de Aru Re, na sua cabeça - mas sou maior do que a soma das minhas partes. Sou uma máquina que vive. Porque sou o guardião e o portador da semente, sou imortal. Sou maior do que os homens que me conceberam, ainda que eles também fossem grandes.

- Uma máquina! - balbuciou Paul, desesperado - Uma máquina maldita e inútil!

A voz não o deixava em paz:

- E que dizer de Paul Marlowe, viajante da Gloria Mundi, cidadão por condescendência de Baya Nor, Poul Mer Lo, o mestre? Não és uma máquina? Uma máquina de carne, osso e sonhos?"


(trecho do livro "Ave Marciana", de Edmund Cooper. O nome original é "A Far Sunset" e no livro, um dos momentos mais bonitos é quando Paul, o personagem principal, observa um pôr do sol... Que é na verdade a estrela Altair)