sexta-feira, 5 de agosto de 2011

As águas de um rio


Impermanência.

Curioso como algumas vezes, em nossas vidas, temos um estalo e percebemos algo muito importante. Alguns chamam de "insight", meu pai disse que é o boneco de gergelim que fica pronto e salta do forno súbitamente... Eu chamo de despertar. Temos muitos deles ao londo dos muitos caminhos, mas alguns são avassaladores.

Meu último despertar que se assemelhava mais a um furacão foi em 2007, quando decidi me tornar vegana. Outros aconteceram, claro, muitas pequenas mudanças ao longo do caminhar. Hoje aconteceu outro. O pior é saber que trata-se de algo que estava dentro de mim... Eu já sabia de tudo. TUDO. Cada palara, cada consideração, cada verdade dolorosa bateu em minha face, me sacudindo violentamente.

Após encarar as verdades, chorei. Minhas lágrimas desceram amargas por tudo o que agora sei conscientemente. Me sinto como o tolo que dança na beira do precipício, ou como o homem enforcado que imobilizado assiste a vida ao redor.

Eu já sabia de tudo. E simplesmente não posso fazer nada.

E sento diante do rio de águas translúcidas que passa.

E as águas diante de mim se sucedem em velocidade estonteante...

E o rio não é mais o mesmo, assim como eu não sou mais a mesma.

Nada é eterno.

* * *

"Apenas contemplar o fato de que as coisas no fundo no fundo não nos pertencem e que não podemos alterar o fluxo dos acontecimentos, que um dia vamos morrer, que muitas e tantas vezes, nossos desejos e nossos apegos são nossos maiores inimigos traz um profundo sentimento de tranqüilidade, é quase como flutuar.

Se contemplarmos a impermanência em profundidade, paciência e compaixão irão aparecer. Iremos nos apegar menos à verdade aparente das nossas experiências e nossa mente se tornará mais flexível."

(texto Budista sobre a Impermanência)

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