quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Kali


Kali

"A lenda conta que, numa luta entre Durga e o demônio Raktabija, este fez o desespero de Durga com um maléfico poder: cada gota vertida de seu sangue se transformava em um outro demônio, similar a ele.

Durga e Shiva, ao tentarem matar os vários demônios que surgiam a cada gota de sangue do demônio Raktabija, cortavam-lhe a cabeça e das gotas de sangue que daí vertiam, nasciam mais e mais demônios.

Já em desespero, Durga se torna Kali, que cortava as cabeças e lambia o sangue que vertia (daí representado pelo colar de cabeças, pela adaga e a língua de fora).

Assim, dizimou os demônios filhos (clones) de Raktabija.

Mas Kali não é uma deusa ou deus do mal pois, na verdade, o papel de
ceifadora de vidas é absolutamente indispensável para a manutenção do mundo.

Seus devotos são recompensados com poderes paranormais e com uma morte sem sofrimentos.

Kali é a destruidora do demônio Raktabija.

E também uma das formas da deusa Parvati, esposa de Shiva.

Ou segundo alguns, é um aspecto do próprio Deus Shiva.

A figura da deusa tem quatro braços, pele azul, os olhos ferozmente arregalados, os cabelos revoltos, a língua pendente, os lábios tintos de hena e bétele.

No pescoço traz um colar de cabeças humanas, e nos flancos uma faixa de mãos decepadas.

Sempre é representada em pé sobre o corpo caído do esposo Shiva.

Apesar da aparência malvada, Kali é só mal compreendida pelas pessoas.

Ela mostra o lado escuro da mulher e a verdadeira força feminina.

Kali a deusa da morte, é venerada na Índia como uma mãe."


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Amanhã...



Amanhã...

Amanhã fazem 23 anos sem você.
Sem seus olhos de mar,
sem sua voz de bossa nova,
sem seus cabelos de índio quase loiro.

Lembro de você cantando tantas canções...
Sua voz que emanava força e suavidade,
ecos dentro de meu coração,
ecos quase perdidos nas memórias.

Sua existência foi breve,
muito mais do que eu queria ou sonharia.
A saudade é eterna, não passa.
A vida sem você não é plena... É amputada.

Falta um pedaço, falta seu carinho, falta seu abraço.
Falta sua voz, seu conselho, sua sabedoria, seu olhar.
Falta um colo, falta o alento, falta uma bronca, falta sua atenção...

Ainda assim você está em mim.
Em meus gestos, em minhas escolhas, em meus caminhos, em minhas lágrimas.
Em meu reflexo, em minha pele, em meus cabelos, em minha filha...

Sigo sem você e com você.
E vivo com você e sem você.

As tempestades já não me assustam mais...
E seguro nas mãos uma rosa amarela para te representar
Enquanto a menina dentro de mim parece gritar: Mãe!



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

As águas de um rio


Impermanência.

Curioso como algumas vezes, em nossas vidas, temos um estalo e percebemos algo muito importante. Alguns chamam de "insight", meu pai disse que é o boneco de gergelim que fica pronto e salta do forno súbitamente... Eu chamo de despertar. Temos muitos deles ao londo dos muitos caminhos, mas alguns são avassaladores.

Meu último despertar que se assemelhava mais a um furacão foi em 2007, quando decidi me tornar vegana. Outros aconteceram, claro, muitas pequenas mudanças ao longo do caminhar. Hoje aconteceu outro. O pior é saber que trata-se de algo que estava dentro de mim... Eu já sabia de tudo. TUDO. Cada palara, cada consideração, cada verdade dolorosa bateu em minha face, me sacudindo violentamente.

Após encarar as verdades, chorei. Minhas lágrimas desceram amargas por tudo o que agora sei conscientemente. Me sinto como o tolo que dança na beira do precipício, ou como o homem enforcado que imobilizado assiste a vida ao redor.

Eu já sabia de tudo. E simplesmente não posso fazer nada.

E sento diante do rio de águas translúcidas que passa.

E as águas diante de mim se sucedem em velocidade estonteante...

E o rio não é mais o mesmo, assim como eu não sou mais a mesma.

Nada é eterno.

* * *

"Apenas contemplar o fato de que as coisas no fundo no fundo não nos pertencem e que não podemos alterar o fluxo dos acontecimentos, que um dia vamos morrer, que muitas e tantas vezes, nossos desejos e nossos apegos são nossos maiores inimigos traz um profundo sentimento de tranqüilidade, é quase como flutuar.

Se contemplarmos a impermanência em profundidade, paciência e compaixão irão aparecer. Iremos nos apegar menos à verdade aparente das nossas experiências e nossa mente se tornará mais flexível."

(texto Budista sobre a Impermanência)