segunda-feira, 28 de março de 2011

Vegetarianismo em pediatria - Dr Eric Slywitch


VEGETARIANISMO EM PEDIATRIA


Março 27, 2011

POR DR ERIC SLYWITCH

(Médico nutrólogo)

A dieta vegetariana pode ser seguida por crianças.

Esse texto foi publicado na Revista Diálogo Médico com o título: Vegetarianismo em Pediatria.


Vegetarianismo em Pediatria

Não existem mais dúvidas de que a dieta vegetariana (DV) bem planejada é adequada para crianças. A adequação dietética não depende do ato de comer ou não carne, mas sim da forma de elaborar a alimentação sem ela.

Pelo desconhecimento do que é ou deixa de ser uma DV (inclusive sobre a inclusão ou não de ovos, leite e derivados – que também podem fazer parte da dieta vegetariana), alguns profissionais cometem erros conceituais e interpretativos sobre ela.

Os bebês de mulheres vegetarianas apresentam peso ao nascer semelhante ao de filhos de mães não vegetarianas. O peso desses bebês também atinge os valores esperados para nascimento (O’Connell e cols 1989, Drake e cols 1989, Lakin e cols 1998).

Alguns estudos antigos encontraram crescimento insuficiente em crianças seguindo uma DV. Esse achado foi evidente quando a dieta era muito restrita, como no caso de crianças macrobióticas, que não são necessariamente vegetarianas (VanDusseldorp e col 1996). Esse problema se chama falta de alimentação e não vegetarianismo.
Diversos estudos demonstraram que a DV adotada por crianças ovolacto-vegetarianas promove crescimento semelhante ao das não vegetarianas (Hebbelinck e Clarys 2001, Sabate e col 1990, Nathan e col 1997).

As DVs, inclusive veganas, bem planejadas satisfazem as necessidades nutricionais de bebês, crianças e adolescentes e promovem o crescimento normal (Messina e Mangels 2001, Hebbelinck e Clarys 2001, Mangels e Messina 2001).

As diretrizes para introdução de alimentos sólidos, assim como para o uso de suplementos de ferro e vitamina D são as mesmas para bebês vegetarianos e não vegetarianos (Mangels e Messina 2001).

As crianças veganas podem ter necessidade protéica ligeiramente maior que as não veganas (como as ovolactovegetarianas e as onívoras) devido à diferença de digestibilidade e da composição de aminoácidos das proteínas vegetais, mas esta necessidade protéica é atendida quando a dieta contém calorias suficientes e uma pequena diversidade de alimentos vegetais (Millward 1999, Messina e Mangels 2001, Food and Nutrition Board 2002).

A ingestão média de proteínas das crianças vegetarianas (inclusive as veganas) costuma obedecer ou exceder às recomendações, embora as crianças vegetarianas possam consumir menos proteína que as não vegetarianas (Nathan e cols 1996, Sanders e Manning 1992).

As dietas vegetarianas na infância e na adolescência podem criar padrões alimentares saudáveis para a vida toda e apresentar algumas vantagens nutricionais importantes. Crianças e adolescentes vegetarianos apresentam menor ingestão de colesterol, gordura saturada e ingestão maior de frutas, verduras e fibras que os não vegetarianos (Perry e cols 2002, Sanders e Manning 1992, Fulton e Hutton 1980).

O ponto de maior atenção na dieta vegetariana é a vitamina B12, motivo de inúmeras publicações demonstrando deficiência em adultos e crianças. Dessa forma é recomendado uma fonte segura para crianças e gestantes, principalmente. Consideramos fontes seguras: ovos, leite e laticínios. A maioria dos vegetarianos utiliza esses alimentos. No caso dos veganos a suplementação é a via mais segura para garantir o suprimento dessa vitamina.

A American Dietetic Association (ADA) e Dietitians of Canada consideram que: “Dietas veganas e ovolactovegetarianas bem planejadas são adequadas a todos os estágios do ciclo vital, inclusive durante a gravidez e a lactação. Dietas veganas e ovolactovegetarianas adequadamente planejadas satisfazem as necessidades nutricionais de bebês, crianças e adolescentes e promovem o crescimento normal” (ADA 2003).

O vegetarianismo também é incentivado pela American Heart Association (AHA), Food and Drug Administration (FDA), College of Family and Consumer Sciences (University of Georgia) e já que estamos falando em pediatria, Kids Health (Nemours Foundation).

A American Dietetic Association e Dietitians of Canada são enfáticas em afirmar que os profissionais da área de nutrição têm o dever de apoiar e encorajar os que demonstram interesse em seguir uma dieta vegetariana.

Os alimentos utilizados para a obtenção dos nutrientes numa dieta vegana são muito mais diversificados do que os utilizados por onívoros (Christel e col, 2005). Isso demonstra que a dieta vegana (estrita) não é restrita.



Bibliografia

Messina V, Mangels AR. Considerations in planning vegan diets: Children. J Am Diet Assoc 2001;101:661-669.

Hebbelinck M, Clarys P. Physical growth and development of vegetarian children and adolescents. In: Sabate J, ed. Vegetarian Nutrition Boca Raton, Fl: CRC Press; 2001:173-193.

Mangels AR, Messina V. Considerations in planning vegan diets: infants. J Am Diet Assoc 2001;101:670-677

Perry CL, McGuire MT, Neumark-Sztainer D, Story M. Adolescent vegetarians. How well do their dietary patterns meet the Healthy People 2010 objectives? Arch Pediatr Adolesc Med 2002;156:431-437.

Sanders TAB, Manning J. The growth and development of vegan children. J Hum Nutr Diet 1992;5:11-21.

Fulton JR, Hutton CW, Stitt KR. Preschool vegetarian children. J Am Diet Assoc 1980;76:360-365.

Mangels AR, Messina V. Considerations in planning vegan diets: infants. J Am Diet Assoc 2001;101:670-677.

Hebbelinck M, Clarys P. Physical growth and development of vegetarian children and adolescents. In: Sabate J, ed. Vegetarian Nutrition Boca Raton, Fl: CRC Press; 2001:173-193.

Sabate J, Linsted KD, Harris RD, Johnston PK. Anthropometric parameters of school children with different life-styles. Am J Dis Child 1990;144:1159-1163.

Nathan I, Hackett AF, Kirby S. A longitudinal study of the growth of matched pairs of vegetarian and omnivorous children, aged 7-11 years, in the north-west of England. Eur J Clin Nutr 1997;51:20-25.

van Dusseldorp M, Arts ICW, Bergsma JS, De Jong N, Dagnelie PC, Van Staveren WA. Catch-up growth in children fed a macrobiotic diet in early childhood. J Nutr 1996;126:2977-2983.

Nathan I, Hackett AF, Kirby S. The dietary intake of a group of vegetarian children aged 7-11 years compared with matched omnivores. Br J Nutr 1996;75:533-544.

Sanders TAB, Manning J. The growth and development of vegan children. J Hum Nutr Diet 1992;5:11-21.

Millward DJ. The nutritional value of plant-based diets in relation to human amino acid and protein requirements. Proc Nutr Soc 1999;58:249-260.

Food and Nutrition Board, Institute of Medicine. Dietary Reference Intakes for Energy, Carbohydrate, Fiber, Fat, Fatty Acids, Cholesterol, Protein, and Amino Acids Washington, DC: National Academy Press; 2002.

Messina V, Mangels AR. Considerations in planning vegan diets: Children. J Am Diet Assoc 2001;101:661-669.
O’Connell JM, Dibley MJ, Sierra J, Wallace B, Marks JS, Yip R. Growth of vegetarian children. The Farm study. Pediatrics 1989;84:475-481.

Drake R, Reddy S, Davies J. Nutrient intake during pregnancy and pregnancy outcome of lacto-ovo-vegetarians, fish-eaters and non-vegetarians. Veg Nutr 1998;2:45-52.

Lakin V, Haggarty P, Abramovich DR. Dietary intake and tissue concentrations of fatty acids in omnivore, vegetarian, and diabetic pregnancy. Prost Leuk Ess Fatty Acids 1998;58:209-220.


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Links:

http://www.alimentacaosemcarne.com.br/

www.svb.org.br

www.vista-se.com.br



quinta-feira, 24 de março de 2011

Estrela Lilás


O silêncio claro do sol, o céu azul que amanhecia.
Seu nascimento mudou meu mundo, me transformou.
Fui preenchida por amor, por esperança e sonhos...

E cada etapa de sua vida, repleta de acertos e erros, alegrias e tristezas, momentos comuns e momentos inesquecíveis; me lapidaram, nos lapidaram.
Sou melhor porque você existe. Sei a pluralidade de cores e tons, e os múltiplos sentimentos que nos definem como humanos, nesta vida; em parte graças à sua vinda...

Obrigada, filha. Obrigada, amiga. Obrigada irmã, filha da Terra, ser tão lindo de alma lilás, repleta de luz amorosa.

Eu te amo, Fernanda... Para sempre.

Feliz Aniversário.


quinta-feira, 17 de março de 2011

A morte sem medo e sem culpa (palestra do Trigueirinho)

(foto tirada por mim, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro)

Hoje quero divulgar uma palestra do Trigueirinho que fala sobre a morte. Muito interessante e de grande relevância nos dias em que vivemos...

"Saber devolver os corpos à Terra quando chega o momento de fazê-lo é uma arte. Se encararmos a morte com naturalidade, compreenderemos as leis que a transcendem."


Link:


Luz e paz, para todos.





sexta-feira, 4 de março de 2011

Três irmãs




As luzes do crepúsculo começavam a mesclar-se com a luminosidade trêmula das chamas das velas, que aos poucos, como sempre, eram acesas. O dia chegara ao fim e uma menina cuja idade poderia aproximar-se de nove ou dez primaveras corria pelo casarão da fazenda. Uma certa angústia apertava-lhe o peito e ela sabia exatamente o que sentia... Seu pai estava prestes à chegar e naquele instante a garota não tinha idéia de onde estariam suas duas irmãs.

Segurando um vestido longo que não chegava ao chão, ela passara por um corredor largo que tinha um chão de tábua corrida e escura. Perdera alguns minutos, talvez algumas horas, nas palavras e linhas escritas de um de seus livros favoritos e assim, acabara por perder a noção do tempo. Seu caminho cruzou com o de um dos escravos mais jovens que trabalhava acendendo as velas e os lampiões à óleo. Estava preocupada demais para conversar com seu amigo, então apenas fez um leve aceno com a cabeça.

Sua irmã do meio era muito travessa. Sorridente, alegre e repleta de energia, tinha como uma de suas brincadeiras favoritas o esconde-esconde, e tinha sido assim, provavelmente, que metera-se nos aposentos dos escravos pela primeira vez. A mais velha sempre dava um jeito do patriarca não ter conhecimento algum sobre as excursões que as três irmãs passaram a ter nos arredores do local. Sua irmã caçula, por sua vez, era a sua protegida... Pequenina e corajosa, servia de inspiração para as outras através de sua inocência.

A mais velha abriu a porta dupla do quarto que dividia com as irmãs e correu para a cama próxima da janela. Debruçando-se sobre a guarda que impedia a pequenina de cair, ao sonhar, sorriu ao ver a face alva de sua irmãzinha. Tocou-lhe de leve nos cachos dourados emolduravam o rosto amado e notou que ela estava sorrindo adormecida.

Ao sair apressada do aposento, quase esbarrou na escrava que era praticamente sua mãe, pois era ela quem criara as três meninas. Não conseguiu escutar a pergunta que lhe foi feita, e não respondeu, rindo sem jeito e quase perdendo o fôlego. Disparara na direção da cozinha! Precisava encontrar a irmã do meio e não tinha mais tempo para perguntas, para nada!

Ao chegar na entrada dos fundos do casarão ergueu os olhos e viu as primeiras estrelas do céu noturno. Uma vibração conhecida atraiu sua atenção e ela distinguiu os tambores ao longe... Talvez fosse dia de festa, talvez o jantar estivesse mais caprichado, talvez fosse apenas uma data importante para os homens e mulheres de pele escura como a noite.

Uma coisa era certa. Sua irmã, que amava dançar além de se esconder, estava com eles.



quinta-feira, 3 de março de 2011

A Terra primeiro

(clique na imagem para vê-la maior)