quinta-feira, 15 de julho de 2010

A libertação de nossos corações está em nossas mãos!


Tenho me questionado quais as razões que tornam tão difícil nos desapegarmos das pessoas.

Já passei há muito tempo pela etapa de aprender o desapego material... Durante toda a minha vida, aprendi à não atribuir valor em demasia aos objetos materiais. Conversando com meu pai, pudemos notar que o estilo de vida que levamos durante a minha infância contribuiu diretamente para a construção desta minha percepção de mundo. Nós mudávamos o tempo todo! Eu, naquela época, achava horrível! Trocar de casa, de escolas, de amigos. Brinquedos que sumiam ou quebravam com as muitas mudanças, novos professores, novos ambientes, novas cidades. E não, meu pai não é militar e nem somos ciganos.

A parte mais difícil sempre foi deixar os amigos para trás (até porque, sei que muitas vezes, eram reencontros). Mesmo com as promessas que as amizades seriam eternas, que nos escreveríamos sempre e voltaríamos a nos ver; a Vida acabava por nos ensinar que o cotidiano muitas vezes nos devora, e a distância eventualmente modifica os sentimentos ou a percepção que temos deles.

Uma das razões é que nos transformamos o tempo todo! Estamos aprendendo, mudando de opinião, percebendo fatos ou aspectos que não víamos antes... E, usando um velho ditado:
Além de não sermos os mesmos que ontem, certamente não seremos os mesmos amanhã.

E me pergunto: Eu deixei de amar os meus amigos? A resposta é óbvia... Não. Eu ainda os amo. Creio que uma parte de minha alma sempre os amará. Não deveria ser assim? O amor, pleno, por tudo e todos?

Os sentimentos e imagens fragmentadas de minha vida flutuam em minhas memórias... Crianças correndo; ver uma tempestade através da janela da sala; as danças de festa junina; pegarmos conchinhas nas areias da praia; pensar que uma música do Milton era uma música de bruxas¹; meus irmãos e eu inventando teatros; uma tia soprando algodão mágico, que flutuava para o alto; meu avô me mostrando a horta; uma reunião de amigos apaixonados por gatos; ver a bandeira sendo hasteada em um acampamento escoteiro; minha avó costurando uma luva de lantejoulas para meu irmão; nossa desesperada busca pelo Balu (nosso cachorrinho) que tinha fugido; mamãe dando comida para a gente no melhor "estilo nordestino"
²; amamentar minha filha pela primeira vez; minha formatura do normal; andar na chuva, sem pressa, ao lado do ser amado; participar de uma manifestação em prol da libertação dos animais não-humanos; uma de nossas gatinhas miando enquanto esperava a comidinha ser esquentada; dançar rodeada de amigos; pássaros voando em um dia cinzento; sol, céu azul e vento forte.

O que levaremos desta vida? O que podemos aprender com ela? Nascemos sozinhos? Morreremos sozinhos? Estamos sozinhos?

A percepção da verdade passa por uma frase de uma das audições do Trigueirinho: "Se a humanidade é uma só, como vocês poderão ser felizes se alguém do outro lado do mundo passa fome? Se vocês são UM SÓ, como poderão estar bem, se em algum lugar existe alguém doente?"

Gaia. Humanidade...
Uma entidade.

Os momentos não ficam perdidos no tempo, como lágrimas na chuva. Cada existência é uma parte que enriquece o todo. O amor não deixa de existir, ele flui como as águas de um rio que seguem para o mar.

Nem todos percebemos isso... Mas não importa, pois somos UM.



* * *


Pratique o Desapego


"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo - nada é insubstituível , um hábito não é uma necessidade. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira."

(Fernando Pessoa)


* * *

Muitas vezes o povo é egocêntrico, ilógico e insensato,
- Perdoe-o assim mesmo.


Se você é gentil, o povo pode acusá-lo de egoísta e interesseiro.

- Seja gentil assim mesmo.


Se você for um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.

- Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco, o povo pode enganá-lo.

- Seja honesto e franco assim mesmo.


O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.

- Construa assim mesmo.


Se você tem paz e é feliz, o povo pode sentir inveja.

- Seja feliz assim mesmo.


O bem que você faz hoje, o povo pode esquecê-lo amanhã.

- Faça o bem assim mesmo.


Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.

- Dê o melhor de você assim mesmo.


Veja você que, no fim das contas, nunca foi entre você e o povo.

-
É entre VOCÊ E DEUS.

(Madre Teresa de Calcutá)



* * *


¹ No disco "O milagre dos Peixes" do Milton Nascimento, existe uma música que tem instrumentos e vocalização (tinha sido censurada pela Ditadura). Meu pai brincava comigo, dizendo que era a 'música das bruxas', e eu não queria parar de escutar, com medo e fascinada ao mesmo tempo.

² O que chamávamos de "estilo nordestino", era algo que ela aprendeu com meu avô Gabriel (segundo ela). O arroz, feijão, farofa e demais pratos, eram todos colocados em uma bacia... Com capricho na farofa, para tudo ficar bem "junto". Então, eu e meus irmãos sentávamos em roda perto da mamãe e ela fazia bolinhos (de comida misturada) com as mãos e comíamos feito passarinho, com ela nos alimentando um à um. Era muito divertido! ^^

Um comentário:

  1. OI FLAVIA,

    VOCÊ CHEGOU NA HORA CERTA !!!

    LI E RELI SEU TEXTO, E VOLTAREI SEMPRE AQUI.

    NA OCASIÃO, FLAVIA APROVEITO PARA CONVIDÁ-LA A CONHECER MEU BLOG DE HUMOR;

    "HUMOR EM TEXTO".

    A CRÔNICA DESTA SEMANA É MUITO POLÊMICA, MAS TEM AGRADADO AOS LEITORES.

    AS VEZES EU ATÉ CONSIGO ESCREVER BONS TEXTOS (RS).

    INCRÍVEL, NÃO É? (RS).

    UM ABRAÇÃO CARIOCA E FIQUE COM DEUS

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