quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Panta Rei... Tudo muda.


Recebi hoje uma mensagem chamada "Panta Rei". Normalmente não abro estas mensagens em pps, mas esta amiga que a mandou, a Claudia, não costuma mandar e-mails assim... Então abri e me surpreendi com o que li e senti. Não acredito em acasos e sei que, pelos eventos ocorridos neste começo de 2010, esta mensagem veio para mim na hora certa... No momento que eu precisava.

"Panta Rei" significa "Tudo muda", "Tudo flui". É parte de uma expressão usada por Heráclito, um filósofo pré-Socrático: Panta rei os potamós (do grego πάντα ῥεῖ ), e é traduzida como "Tudo flui como um rio".



Definitivamente não existem coincidências. Ontem eu vi um programa sobre os 15 anos do Telescópio Hubble, e como suas imagens profundas transformaram alguns conceitos de Astronomia, especialmente o que sabíamos, ou pensávamos saber sobre as galáxias... Visões incríveis e complexas do passado. Sim, as estrelas e as galáxias que vemos nos céus noturnos são imagens de objetos celestes que podem até mesmo não existir mais.


Não somos os mesmos que ontem... Seremos diferentes a cada instante, em uma espiral eterna de evolução, transformação e aprendizado. Somos eternos aprendizes. Talvez seja esta a única coisa que não muda: Somos aprendizes! Negar os finais dos ciclos só traz sofrimento.

Como é complicado aceitarmos isso em nossos relacionamentos... Como tantos de nós (eu inclusa) queriam que as amizades fossem eternas da forma como eram em seu auge, os ideais fossem o norte das ações todo o tempo, os sonhos guiassem palavras e comportamentos. Mas não é assim. Não funciona desta forma! Todos os relacionamentos humanos passam por fases, como estações do ano, como o próprio ciclo da vida. Esta vida, nossa atual existência humana, é tão breve, tão frágil.
Cabe a cada um de nós perceber que está ao nosso alcance sermos melhores, a cada dia... A cada erro superado, a cada aprendizado. Não somos perfeitos e muitas vezes me questiono se algum dia, em alguma existência, seremos. Será que realmente almejamos isso?

O crescimento e a transformação dão força e sentido à VIDA. Podemos e devemos fazer com que nossa passagem pela Terra seja plena, seja inesquecível, seja mágica e transformadora... Não apenas para nossos espíritos, mas para tudo e todos ao nosso redor.

Somos UM.
Estamos interligados com a Terra, com o universo, com tudo.

Que possamos aprender sobre a impermanência e o desapego.
Que possamos crescer, nos transformando contínuamente como as galáxias e as estrelas... Pois somos parte delas e nosso movimento, como os delas, é perene.


* * *

"Existem ciclos de sucesso, como quando as coisas acontecem e dão certo, e os ciclos de fracasso, quando elas não vão bem e se desintegram. Você tem de permitir que elas terminem, dando espaço para que coisas novas aconteçam ou se transformem.

Se nos apegamos às situações oferecemos uma resistência nesse estágio, significa que estamos nos recusando a acompanhar o fluxo da vida e que vamos sofrer. É necessário que as coisas acabem, para que coisas novas aconteçam.

Um ciclo não pode existir sem o outro. O ciclo descendente é absolutamente essencial para uma realização espiritual. Você tem de ter falhado gravemente de algum modo, ou passado por alguma perda profunda, ou por algum sofrimento, para ser conduzido à dimensão espiritual.

Ou talvez o seu sucesso tenha se tornado vazio e sem sentido e se trasformado em fracasso. O fracasso está sempre embutido no sucesso, assim como o sucesso está sempre encoberto pelo fracasso. No mundo da forma, todas as pessoas “fracassam” mais cedo ou mais tarde, e toda conquista acaba em derrota.

Todas as formas são impermanentes…. Um ciclo pode durar de algumas horas a alguns anos, e dentro dele pode haver ciclos longos ou curtos. Muitas doenças são provocadas pela luta contra os ciclos de baixa energia, que são fundamentais para uma renovação. Enquanto estivermos identificados com a mente, não podemos evitar a compulsão de fazer e a tendência para extrair o nosso valor pessoal de fatores externos, tais como as conquistas que alcançamos.

Isso torna difícil ou impossível para nós aceitarmos os ciclos de baixa e permitirmos que eles aconteçam. Assim, a inteligência do organismo pode assumir o controle, como uma medida autoprotetora, e criar uma doença com o objetivo de nos forçar a parar, de modo a permitir que uma necessária renovação possa acontecer.

Enquanto a mente julgar uma circunstância “ boa”, seja um relacionamento, uma propriedade, um papel social, um lugar ou o nosso corpo físico, ela se apega e se identifica com ela. Isso faz você se sentir bem em relação a si mesmo e pode se tornar parte de quem você é ou pensa que é.

Mas nada dura muito nessa dimensão, onde as traças e a ferrugem devoram tudo. Tudo acaba ou se transforma: a mesma condição que era boa no passado, de repente, se torna ruim. A mesma condição que fez você feliz agora faz você infeliz. A prosperidade de hoje se torna o consumismo vazio de amanhã. O casamento feliz e a lua-de-mel se transformam no divórcio infeliz ou em uma convivência infeliz.

A mente não consegue aceitar quando uma situação à qual ela tenha se apegado muda ou desaparece. Ela vai resistir à mudança. É quase como se um membro estivesse sendo arrancado do seu corpo. Isso significa que a felicidade e a infelicidade são, na verdade, uma coisa só. Somente a ilusão do tempo as separa.

Não oferecer resistência à vida é estar em estado de graça, de descanso e de luz. Nesse estado, nada depende de as coisas serem boas ou ruins…. Observe as plantas e os animais, aprenda com eles a aceitar aquilo que é e a se entregar ao Agora.

Deixe que eles lhe ensinem o que é Ser. Deixe que eles lhe ensinem o que é integridade – estar em unidade, ser você mesmo, ser verdadeiro. Aprenda como viver e como morrer, e como não fazer do viver e do morrer um problema."


(Texto extraído do livro Praticando o Poder do Agora, de Eckhart Tolle)