quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Bola de meia, bola de gude (Ixtlan está em nós)

(flores de minha infância)


Bola de meia, bola de gude

(Milton Nascimento)
.
.
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor


Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal


Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão...

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão...
"

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Dor e lições

Eu sabia que chegaria o dia em que, em alguma disciplina, eu perderia o controle... Esperava estar preparada. Afinal, já assisti à documentários dolorosos, já li textos, já sei tantas coisas sobre o holocausto animal... Pensei que conseguiria evitar certas aulas, conversando antecipadamente com os professores, deixando clara a minha posição abolicionista.

Desde o começo da faculdade, vira e mexe, em alguma aula surge algum comentário que provoca reviravoltas no meu estômago. Especismo escancarado. Preconceito que atualmente, não apenas é aceito, como é incentivado.

Mas eu me segurava. Alguns colegas e alguns amigos, sabendo como me sinto, seguravam minha mão... Olhavam para mim, para checarem minha reação. Amizade.

Porém, na aula passada de microbiologia, cujo assunto era o vírus da gripe, eu cheguei à um limite até então inexplorado: O de perder o controle sobre as minhas emoções. A descrição sobre a produção da vacina não me incomodou tanto quanto os detalhes sórdidos dos esquartejamentos dos embriões quase-nascidos... Fui lançada em um furacão.

Começou com uma respiração irregular e tremedeiras. Tentei me controlar, claro. Tentei não escutar as informações... Olhei para o chão, para as paredes, para os meus colegas e amigos. Não deu. Foi mais forte que eu... Vieram as lágrimas.

Quando comecei a ficar tonta, levantei súbitamente e sem pensar sai andando na direção da porta. Neste momento não escutava mais nada... Nem o professor, nem as informações dantescas que ele repassava para a turma.

Eu estava chorando sem controle.

Sem mochila, sem celular, sem direção, saí sem enxergar para onde ia e andei até a escadaria do prédio do IB... Sentei, me encolhi de tanta vergonha da espécie humana... Chorei pelos embriões não-nascidos, pelos bezerros, pelos animais explorados diariamente... Aos bilhões.

Como a minha espécie é arrogante. Agimos como deuses... Como se possuíssemos a Terra e as almas de seus filhos, nossos irmãos. Agimos como se não existisse consequência alguma de nossos atos.

Me senti no olho do furacão... Não havia som algum, apenas o do meu coração desolado e dos soluços de meu pranto, não mais contido.

Foi quando me senti sendo abraçada.

Estranhei e levei alguns segundos para sair da minha bolha de silêncio. Alguém estava do meu lado e me abraçava. Eu não estava sozinha... E quando eu ergui os olhos e consegui focar visão vi que minha amiga tinha preocupação nos olhos e me banhava com sua luz. Compaixão... Amizade. Apoio quando eu menos esperava.



Quantas lições em um só dia de faculdade.






segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Último Passo: Fazendo a Transição (artigo do Dr George Guimarães)


O Último Passo: Fazendo a Transição

Dr George Guimarães, nutricionista especializado em dietas vegetarianas

Setembro de 2007

www.nutriveg.com.br


Então você decidiu tornar-se vegetariano, mas ainda falta dar aquele último passo. Talvez você ainda consuma algum peixe ou ave “só de vez em quando”, ou talvez você ainda coma carnes todos os dias, mas esteja pensando tão seriamente e com tanta convicção sobre o assunto que você já se considera um vegetariano (o que obviamente é um engano). Pois o que falta para você fazer a transição final? O que impede as pessoas de darem o último passo em direção ao vegetarianismo, mesmo aquelas que já entenderam, em todas as esferas, que a dieta vegetariana é a melhor escolha?



Na minha observação, a resposta a esta pergunta reside num único sentimento: o medo. Ele é a grande barreira que impede as pessoas de concretizarem a sua decisão, levando-as a criar desculpas para si mesmas ou a aumentar barreiras que poderiam ser transpostas com alguma atitude positiva. Esse medo pode ser o medo de parecer diferente, de ter que enfrentar os amigos ou familiares, de ficar desnutrido, de ter que abrir mão do paladar, entre outros.



Sobre o medo de parecer diferente, existe inclusive o medo de ter que freqüentar lugares para os quais a pessoa criou uma ilusão estereotipada e cujo simples pensamento já a remete a uma sensação de temor do diferente ou desconhecido. Um exemplo disso é imaginar, sem nunca ter freqüentado um, que todos os restaurantes vegetarianos são lugares onde temos que deixar os sapatos na porta e recitar mantras em sânscrito antes de comer. O que não é necessariamente ruim, mas também não representa a maioria dos estabelecimentos nesse ramo. Esse é um medo muito fácil de ser resolvido, geralmente com uma simples experiência, mas acreditem: há pessoas que têm temor de ter uma primeira experiência em um restaurante vegetariano. Por outro lado, a surpresa e satisfação que elas experimentam são proporcionais, haja vista que, com muito sabor e um ambiente acessível à realidade da maioria das pessoas, os restaurantes vegetarianos em geral cumprem bem o papel de dissipar este mito. A mesma experiência, seja num restaurante vegetariano ou na casa de um amigo, pode ser válida para dissipar o mito de que, para se tornar vegetariana, a pessoa terá que abrir mão do paladar.



O medo de ficar desnutrido é sem dúvida um dos maiores medos que se impõe como uma barreira para a transição final. Na minha experiência no consultório, onde atendo exclusivamente a pacientes que são vegetarianos ou que estão justamente buscando dar esse último passo, eu observo que o que a maioria das pessoas busca é o aval de um profissional especializado que diga a elas: “vá em frente, vai ficar tudo bem”. Elas já tomaram a decisão, já estão prontas, mas falta-lhes libertarem-se da última ponta de apego ou medo do novo e diferente. É claro que a informação é importantíssima para isso, e é para isso que elas me procuram e de fato levam consigo informações que farão toda a diferença para o sucesso da sua dieta vegetariana. Mas eu também observo em muitos dos meus pacientes que, além da sensação de segurança que somente a informação pode lhes conferir, há também uma sensação de alívio, algo como “que bom que agora eu posso acreditar naquilo que eu já sabia estar certo o tempo todo”. E de fato, no campo nutricional, com a informação e cuidado corretos, deixamos para trás o aquilo que poderíamos temer, restando apenas aquilo do que desfrutar!



Seja qual for o medo, a chave está na informação e na coragem de experimentar. Atualmente, a informação sobre o tema está amplamente disponível àqueles que a procurarem. Quanto à coragem, no caso específico de dar o último passo em direção ao vegetarianismo, estamos falando de uma ação ou experimento que oferece poucos riscos. No campo da nutrição, o experimento está certamente destinado a ser bem-sucedido se for aliado à informação. No campo gastronômico, o maior risco que a pessoa corre é o de aprender os nomes de novos alimentos ou ter que pagar por uma refeição que não a agradou. Já no campo social, esta é uma área mais delicada, pois há o risco de criar conflitos com pessoas queridas ou ambientes críticos. Mas com algum estudo, a pessoa pode estar preparada para saber argumentar de maneira a minimizar os conflitos e assim guiar as discussões para o caminho da resolução ao invés do caminho do enfrentamento improdutivo. Com tantas pessoas tornando-se vegetarianas a cada dia, esta área complexa que é a dos relacionamentos humanos já vem sendo bastante explorada e experimentada no que diz respeito ao tema, por pessoas que provavelmente já passaram por situações muito parecidas com a do novo adepto. Fazendo uso dos diversos fóruns eletrônicos e outras formas de troca de experiências e apoio, os erros e acertos de outros podem servir como um rico aprendizado que ajuda a minimizar os conflitos sociais.



Se você é uma dessas pessoas que ainda não se permitiu dar o último passo, procure lembrar-se do que foi que te motivou desde o início. Se o motivo foi pela sua saúde, você só tem a ganhar em fazer a transição o quanto antes. Os medos de carências nutricionais não passam disso mesmo: medos. As justificativas criadas por você (ainda que inconscientemente) no intuito de te ajudar a manter a boa saúde estão mais provavelmente adiando esta conquista de um grau superior de saúde. As informações, os estudos científicos e as experiências individuais trazem uma mensagem bastante clara: é possível adotar uma dieta vegetariana em qualquer fase da vida, bastando para isso observar alguns cuidados nutricionais que são relativamente fáceis de serem seguidos. Informe-se e vá em frente!



Se o que te motivou foi uma questão ambiental, é desnecessário dizer que nesse campo estamos correndo contra o tempo e qualquer desculpa que possamos inventar para justificar o apego a uma dieta centrada na carne não ajudará a amenizar o impacto exagerado que exercemos sobre o planeta e que atualmente o coloca à beira da destruição. O que precisamos é de ação, sobretudo de uma revisão daquelas ações que realizamos ao menos três vezes por dia ao sentarmos à mesa. Cada dia que você adia para dar o próximo passo, é um dia em que você cometeu ao menos três erros perfeitamente evitáveis que afetam diretamente a saúde do planeta. Se o motivo que te despertou para o vegetarianismo foi a questão animal, é desnecessário dizer que cada dia que você perpetua a sua racionalização para buscar justificar a sua impossibilidade em parar de comer carne é um dia fatal para os animais. E para esses, assim como para o planeta, as suas desculpas são sem efeito.



Você tem o poder para fazer a mudança que deseja fazer em sua vida e o último passo está logo aí, bem à sua frente. Basta munir-se de informação, despir-se dos medos e caminhar, um grande passo a cada dia. Você não demorará a descobrir que a caminhada não é apenas mais fácil do que você imaginava. Ela é também repleta de surpresas e ganhos diversos pelos quais você nem esperava, pois se mantinham encobertos pelos medos que você outrora cultivava. Este último passo em direção ao vegetarianismo é, na verdade, apenas um dos primeiros passos dentre os que podem ser considerados essenciais para trilhar o caminho da saúde, da consciência ambiental e do respeito a todas as formas de vida.




"Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência da vida na terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da humanidade."

(Albert Einstein)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mudança de percepção


"No momento, nosso mundo de humanos é baseado no sofrimento e na destruição de milhões de não-humanos. Aperceber-se disso e fazer algo para mudar essa situação por meios pessoais e públicos, requer uma mudança de percepção, equivalente a uma conversão religiosa.

Nada poderá jamais ser visto da mesma maneira, pois uma vez reconhecido o terror e a dor de outras espécies, você irá, a menos que resista à conversão, ter consciência das permutações de sofrimento interminável, em que se apóia a nossa sociedade."

(Sir Arthur Conan Doyle)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sendo um Guerreiro (pensamentos de Castañeda)


“Há muitas coisas que um guerreiro pode fazer, em determinado momento, que não poderia ter feito anos antes. Essas coisas não mudaram; o que mudou foi a idéia do guerreiro sobre si mesmo.”
(Carlos Castañeda - Porta para o Infinito)

“As possibilidades do homem são tão vastas e misteriosas que os guerreiros, em vez de pensar sobre elas, escolhem explorá-las, sem esperança de jamais chegar a entendê-las”
(Carlos Castañeda - O Poder do Silêncio)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Golfinhos


Hoje me dei conta que ainda não expliquei a razão do nome do Blog... São duas. E bastante simples, aliás.

1- Um dos meus animais favoritos.
Amo todos os animais, e este amor se reflete em escolhas e ações em prol da libertação dos animais não-humanos. Mas tenho um certo xodó por dois animais em especial: Gatos e golfinhos.

2- Freqüentes sonhos com golfinhos.
Esta é a razão mais forte. Ainda não estive frente à frente com um deles nesta vida (o dia que isso acontecer, talvez eu atravesse um portal, ou tenha um treco, rsrs), mas sonho muito com três coisas: Ondas gigantescas (apocalípticas mesmo), OVNIs (e situações muito realistas de espaços dimensionais diferentes) e golfinhos (ou nadando com eles, ou sendo um deles).


E deixo uma dica de música: "Dream of the Dolphin", do Enigma (um dos meus sons favoritos).








quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Meu olhar sobre Deus e extraterrestres



Algumas vezes na vida nos surpreendemos ao compreender certos eventos ou situações. Podemos chamar de insight, mas em bom português (apesar da expressão ser bem antiga) é o "cair da ficha". O estranho disso é saber que, algumas vezes, justamente as pessoas mais próximas são as que parecem nos enxergar de forma mais nublada... Como se nos tornássemos um borrão.

Minha percepção do Universo é peculiar e única. Acredito que seja assim para TODAS as pessoas, ainda que acreditemos que rótulos possam ser usados... Rótulos, nomes, definições? São apenas guias, como placas em uma estrada ou caminho.

Somos, cada um de nós, um emaranhado de: idéias, informações, conceitos, visões, percepções, sensações, dores, amores, sonhos, esperaças, frustrações e todas as emoções que permeiam nossas existências.

O que é Deus?
(meu olhar)

Costumo dizer duas coisas sobre Deus.

1- Sim, eu acredito em Deus. Da minha forma, claro. E ela não se encaixa em nenhuma religião há algum tempo.

2- Usando uma metáfora... Deus para mim é como uma montanha. Cada um a olha de ângulos diferentes (da praia, da campina, do planalto, da floresta), mas trata-se da mesma montanha. E não é um conceito tão limitado, claro... Porque ele é o céu acima da montanha e é o universo além da atmosfera, é o manto e o núcleo no centro da Terra, em toda parte, em todas as dimensões.

Tem um conceito interessante que se assemelha e muito ao que acredito. É o conceito da "Força" que aparece nos filmes de Star Wars. Não nos mais recentes, nos antigos mesmo. A força está dentro de nós e ao nosso redor, ela nos mantém, nos guia, está em tudo e em todos... Nos humanos, nos animais, nos microrganismos, no ar, na água, nas plantas, nas pedras, nas estrelas, no vácuo, na luz e na escuridão.

Não acredito em acasos e nem em coincidências. Simplesmente não existem. E a razão é bem simples: Estamos TODOS conectados. Como uma trama, inconsciente coletivo... Podemos dar o nome que quisermos. SOMOS UM.

Então... Não tenho religião, mas acredito em Deus. E acredito na imortalidade do espírito (já vi e vejo espíritos com bastante frequência, tanto dormindo quanto acordada - mas isso é assunto para um outro texto), acredito em reencarnação, acredito em um universo multi-dimensional e acredito que nossas ações trazem consequências diretas para nós mesmos.

E os extraterrestres?

Sim, eu também acredito em extraterrestres. Eu VI um objeto voador não-identificado quando eu tinha cerca de nove anos de idade, e esta semente, incentivada principalmente por meu pai (que era e é astrônomo amador - chegamos a ter um telescópio), floresceu em um amor imenso pelo universo que nos cerca. Galáxias, estrelas, planetas, asteróides, buracos negros... Este assunto me fascina desde que me entendo por gente. E se eu VI um OVNI, e sei mais do que o senso comum sobre astronomia... porque eu não acreditaria na possibilidade da vida extraterrestre? É matemática pura e simples (e eu não gosto muito de matemática - razão principal de eu não me aprofundar mais em astronomia).

Claro que cada um acredita no que quiser.

Definitivamente, isso sim é uma verdade indiscutível.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Para quem vê além do olhar...

Este é um clipe de uma cantora francesa chamada Mylene Farmer...
"Si J'avais au moins".
As imagens falam por si.

Link para assistir e escutar:

Boicote as empresas que fazem testes em animais.
Faça a sua parte.
Vamos criar um mundo melhor.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Tristeza


Frase de Gary Francione: "O consumo de carne animal não pode ser justificado como algo moral. A única justificativa para se comer animais é o prazer dos humanos às custas do sofrimento e morte de 56 bilhões de animais por ano (excluindo peixes)."

Isto é, os números subiriam exponencialmente se incluíssemos a fauna marinha.

ONDE ESTÁ A ÉTICA? Onde está a consciência? Como será o despertar?

A Terra chora por seus filhos... Por todos eles. Pois a humanidade colherá aquilo que semeou.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sentimentos


Hoje meu coração está me levando com freqüência para perto de uma amiga querida, que está distante... E passando por um período muito ruim. Minhas energias mais positivas, meu carinho e minhas orações estarão com ela e com sua filhotinha.

E não importam o tempo e a distância. São apenas ilusões.

"Sentir primeiro, pensar depois
Perdoar primeiro, julgar depois
Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois

Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois

Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois

Navegar primeiro, aportar depois
Viver primeiro, morrer depois."

(Mário Quintana)

domingo, 18 de julho de 2010

Compartilhando o que aprendemos...

(clique na imagem para ampliá-la)

A idéia não foi minha, foi do Luar, meu amigo e irmão que está cursando nutrição comigo na Unirio. Ele sondou, sondou, falou com um professor, com outra professora... E conseguiu algo muito importante.

Nesta segunda-feira, dia 19 de julho, com o apoio imprescindível da Professora Dra Elka Carvalho, titular de Deontologia da Escola de Nutrição da Unirio; e de nossos amigos da UniVeg; estaremos exibindo para a nossa turma o documentário "A carne É fraca", do Instituto Nina Rosa.

Estamos no primeiro período, a maioria da turma (que é pequena), ao longo destes poucos meses que nos conhecemos, parece estar disposta a se abrir para novas informações e novas perspectivas... Como tudo isso é bonito e importante. Quantas vidas serão tocadas, ou até mesmo transformadas, pelo simples ato de COMPARTILHARMOS o que aprendemos?

Estou com o coração repleto de esperança, me perguntando quantos de meus colegas e novos amigos irão dar os passos para fora da caverna escura... Quantos deles estenderão as mãos para nos unirmos, ajudando a Terra (e seus filhos) em seu momento de maior necessidade?

Quantos deles escutarão o chamado de Gaia?


"
E depois de ver e ouvir tudo isso...
Talvez você decida olhar para o outro lado.
Mas nunca mais poderá dizer que não sabia."

(William Wiberforce)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A libertação de nossos corações está em nossas mãos!


Tenho me questionado quais as razões que tornam tão difícil nos desapegarmos das pessoas.

Já passei há muito tempo pela etapa de aprender o desapego material... Durante toda a minha vida, aprendi à não atribuir valor em demasia aos objetos materiais. Conversando com meu pai, pudemos notar que o estilo de vida que levamos durante a minha infância contribuiu diretamente para a construção desta minha percepção de mundo. Nós mudávamos o tempo todo! Eu, naquela época, achava horrível! Trocar de casa, de escolas, de amigos. Brinquedos que sumiam ou quebravam com as muitas mudanças, novos professores, novos ambientes, novas cidades. E não, meu pai não é militar e nem somos ciganos.

A parte mais difícil sempre foi deixar os amigos para trás (até porque, sei que muitas vezes, eram reencontros). Mesmo com as promessas que as amizades seriam eternas, que nos escreveríamos sempre e voltaríamos a nos ver; a Vida acabava por nos ensinar que o cotidiano muitas vezes nos devora, e a distância eventualmente modifica os sentimentos ou a percepção que temos deles.

Uma das razões é que nos transformamos o tempo todo! Estamos aprendendo, mudando de opinião, percebendo fatos ou aspectos que não víamos antes... E, usando um velho ditado:
Além de não sermos os mesmos que ontem, certamente não seremos os mesmos amanhã.

E me pergunto: Eu deixei de amar os meus amigos? A resposta é óbvia... Não. Eu ainda os amo. Creio que uma parte de minha alma sempre os amará. Não deveria ser assim? O amor, pleno, por tudo e todos?

Os sentimentos e imagens fragmentadas de minha vida flutuam em minhas memórias... Crianças correndo; ver uma tempestade através da janela da sala; as danças de festa junina; pegarmos conchinhas nas areias da praia; pensar que uma música do Milton era uma música de bruxas¹; meus irmãos e eu inventando teatros; uma tia soprando algodão mágico, que flutuava para o alto; meu avô me mostrando a horta; uma reunião de amigos apaixonados por gatos; ver a bandeira sendo hasteada em um acampamento escoteiro; minha avó costurando uma luva de lantejoulas para meu irmão; nossa desesperada busca pelo Balu (nosso cachorrinho) que tinha fugido; mamãe dando comida para a gente no melhor "estilo nordestino"
²; amamentar minha filha pela primeira vez; minha formatura do normal; andar na chuva, sem pressa, ao lado do ser amado; participar de uma manifestação em prol da libertação dos animais não-humanos; uma de nossas gatinhas miando enquanto esperava a comidinha ser esquentada; dançar rodeada de amigos; pássaros voando em um dia cinzento; sol, céu azul e vento forte.

O que levaremos desta vida? O que podemos aprender com ela? Nascemos sozinhos? Morreremos sozinhos? Estamos sozinhos?

A percepção da verdade passa por uma frase de uma das audições do Trigueirinho: "Se a humanidade é uma só, como vocês poderão ser felizes se alguém do outro lado do mundo passa fome? Se vocês são UM SÓ, como poderão estar bem, se em algum lugar existe alguém doente?"

Gaia. Humanidade...
Uma entidade.

Os momentos não ficam perdidos no tempo, como lágrimas na chuva. Cada existência é uma parte que enriquece o todo. O amor não deixa de existir, ele flui como as águas de um rio que seguem para o mar.

Nem todos percebemos isso... Mas não importa, pois somos UM.



* * *


Pratique o Desapego


"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo - nada é insubstituível , um hábito não é uma necessidade. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira."

(Fernando Pessoa)


* * *

Muitas vezes o povo é egocêntrico, ilógico e insensato,
- Perdoe-o assim mesmo.


Se você é gentil, o povo pode acusá-lo de egoísta e interesseiro.

- Seja gentil assim mesmo.


Se você for um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.

- Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco, o povo pode enganá-lo.

- Seja honesto e franco assim mesmo.


O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.

- Construa assim mesmo.


Se você tem paz e é feliz, o povo pode sentir inveja.

- Seja feliz assim mesmo.


O bem que você faz hoje, o povo pode esquecê-lo amanhã.

- Faça o bem assim mesmo.


Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.

- Dê o melhor de você assim mesmo.


Veja você que, no fim das contas, nunca foi entre você e o povo.

-
É entre VOCÊ E DEUS.

(Madre Teresa de Calcutá)



* * *


¹ No disco "O milagre dos Peixes" do Milton Nascimento, existe uma música que tem instrumentos e vocalização (tinha sido censurada pela Ditadura). Meu pai brincava comigo, dizendo que era a 'música das bruxas', e eu não queria parar de escutar, com medo e fascinada ao mesmo tempo.

² O que chamávamos de "estilo nordestino", era algo que ela aprendeu com meu avô Gabriel (segundo ela). O arroz, feijão, farofa e demais pratos, eram todos colocados em uma bacia... Com capricho na farofa, para tudo ficar bem "junto". Então, eu e meus irmãos sentávamos em roda perto da mamãe e ela fazia bolinhos (de comida misturada) com as mãos e comíamos feito passarinho, com ela nos alimentando um à um. Era muito divertido! ^^

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ética e interpretação (texto de Sônia Felipe)


Ética e interpretação


Palavras nada mais são do que palavras? E o que são elas, de fato? Há mais ou menos 400 anos, o filósofo inglês Thomas Hobbes descreveu a função da palavra: guardar imagens, arquivá-las, e mantê-las vivas para repassar a outras mentes humanas conteúdos objetivos de experiências nossas, conteúdos subjetivos de experiências mentais privativas de quem as vivencia. Por isso, quando se afirma que discutir conceitos é pura perda de tempo, erra-se. Não há humanidade sem palavras. Sem elas, teríamos, cada um de nós, de começar do zero o entendimento das noções essenciais à consciência de si e à interação com a consciência do outro. Não há possibilidade de ética sem clareza conceitual. E essa custa a ser forjada, porque cada um de nós tem arquivos com palavras que nem sempre significam a mesma coisa para os outros. Por isso, debater é fundamental. Silenciar o debate é matar a humanidade, pois destrui a subjetividade. Mas, debater apenas para impor os arquivos da própria subjetividade também não leva a melhor acerto. Para se ter um projeto moral compartilhado é preciso passar pela desconfortável experiência de esclarecer o que as palavras significam. Sem tal clareza não formamos um conceito objetivo. Sem um objeto comum bem definido não temos um objetivo ao qual destinar o benefício de nossas ações.

Temos hoje uma quantidade imensa de informações disponíveis em textos impressos e nos media eletrônicos. Qualquer pessoa capaz de ler pode acessar informações sobre qualquer assunto que lhe interesse: das viagens espaciais aos componentes dos alimentos processados e pesticidas usados para o cultivo bélico de cereais, frutas e legumes.

Mas, apesar da informação, via de regra, as pessoas não dispõem de meios para formatar um objeto com as informações disponíveis, especialmente quando se trata de formatar um objeto para reformatar a própria mente, sem a qual não há moralidade. Para esse fim, é preciso que sejamos capazes de interpretar as informações disponíveis, seguindo um padrão ético já examinado e reconhecido como válido.

Interpretar as informações não é o mesmo que emitir opiniões levianas sobre os objetos ou temas referidos nelas. No campo da ética, interpretar significa redesenhar a própria moralidade à luz das informações acessadas. Na ética, o conservadorismo dos arquivos compete contra o refinamento moral. Se, por um lado, os princípios éticos são universalizáveis, por outro, eles não dizem nada sobre o modo pelo qual cada um de nós deve incorporá-los. Incorporar princípios éticos de forma crítica requer interpretação. O princípio da não-violência (ahimsa), por exemplo, não deixa dúvidas sobre quais os objetos aos quais se refere.

A dúvida atormenta apenas a mente daqueles que decidem adotá-lo para redesenhar o perfil de sua própria biografia, tirando dela tudo o que representa dor e sofrimento para qualquer ser senciente, isto é, qualquer ser capaz de perceber eventos e estímulos, e distinguir o que é prazeroso, do que é doloroso. Seres sencientes têm essa capacidade: a de saber o que é favorável ao seu bem-estar. Aliada a ela, seres sencientes têm também o discernimento para escolher o que lhes favorece e fugir do que não lhes favorece. Esse é o caso dos animais.

Isso se aplica a animais, sem distinção de espécie. Por isso, o princípio da não-violência, se seguido eticamente, não admite discriminar a dor e sofrimento de um determinado animal e defender o fim da dor infligida a outros. Isso é “especismo eletivo”.

Deixar de comer certos alimentos, alegando que causam dor aos animais abatidos para a produção deles, e comer outros alimentos que igualmente causam dor e sofrimento aos animais usados para sua extração, é especismo eletivo. Não é ética, pois não se pode mostrar um argumento sequer que indique o quanto os animais discriminados por nossa escolha especista eletiva são beneficiados por ela. Quando tentamos justificar o que fazemos, acabamos apresentando argumentos centrados em nosso interesse pessoal.

Não há ética fundada sobre a defesa de interesses pessoais. Argumentos dessa natureza são econômicos, não são éticos. O agente moral sempre encontra uma razão “econômica” para justificar sua busca de benefícios para si, e com ela pretende também justificar o uso de certos animais e defender o fim do uso de outros. O problema é que cada um escolhe um tipo de bicho para defender, e outros, para atormentar. Por isso não temos uma ética animalista. Temos somente argumentos que não escapam dos interesses antropocêntricos. Assim, não evoluímos moralmente, e os animais é que são brutos?


Fonte: ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais
http://www.anda.jor.br/?p=57244

sexta-feira, 7 de maio de 2010

20 perguntas sobre o Vegetarianismo

(clique na imagem para vê-la maior)


20 perguntas sobre a Alimentação Vegetariana

Entrevistado:
Dr. Rogério Frossard, médico e nutrólogo, especialista em medicina desportiva


1- Quais são os benefícios da alimentação vegetariana (vegana)?

A dieta vegetariana pura ou restrita a alimentos de origem vegetal é a melhor forma de suprir as exigências de um corpo saudável. Para funcionar adequadamente, o corpo necessita de vários elementos mas o oxigênio, a água e o açúcar são essenciais para sua sobrevivência. Portanto, a dieta vegetariana pura é a fonte dos carboidratos de origem exclusivamente vegetal que fornecem este açúcar: a glicose. Ricos em água, vitaminas e sais minerais, estes vegetais associados ao elevado consumo de oxigênio de uma atividade aeróbica, são a receita para uma vida saudável.

2- Se eu me alimentar apenas com vegetais, vou ficar fraco?
De forma alguma! O maior reservatório de energia no corpo se encontra nos músculos. Eles são os maiores consumidores da glicose oriunda da dieta. O volume desses reservatórios é diretamente proporcional ao volume de atividade física de cada um e da sua ingestão de energia: carboidratos.
No entanto, ao migrar para um regime totalmente vegetariano, o corpo pode sentir provisoriamente a falta do estímulo proporcionando pelos alimentos de origem animal; é como parar de fumar ou de beber café de repente, de uma hora para outra. O corpo pode levar um tempinho para superar esta dependência.


3- É possível obter proteínas suficientes numa alimentação vegetariana (vegana)?
Estudos demonstram que uma dieta vegetariana com quantidade suficiente de energia para o corpo é capaz de suprir suas necessidades protéicas. Ou seja, os alimentos que haverão de suprir a demanda energética têm proteínas suficientes para a renovação diária necessária ao corpo.
Além disso, uma dieta rica em energia é capaz de poupar a demanda por matéria protéica.


4- Quanto de proteína precisa ingerir uma pessoa adulta que trabalha e prática algum tipo de esporte 2 ou 3 vezes por semana?
Entre 0.5 e 0.7 g por quilo de massa magra: a massa total subtraída da massa gordurosa. Uma dieta vegetariana pura com o aporte calórico adequado é capaz de suprir amplamente esta necessidade.


5- Um atleta profissional pode ser vegetariano (vegano)?
A dieta vegetariana pura é indicada para todos, especialmente aqueles que consomem muita energia por intermédio da prática regular de atividades físicas. No mundo dos esportes, há um grande número de atletas que aderiram ao vegetarianismo. Ninguém, especialmente um atleta, pode desprezar sua necessidade de um consumo elevado de carboidratos.


6- E a vitamina B12? Como os vegetarianos (veganos) resolvem esse problema?
A vitamina B12 é suplemento normalmente encontrado nos alimentos eriquecidos como os cereais matinais, ou por meio de cápsulas. Uma vez que as nossas necessidades diárias de vitamina B12 são bastante reduzidas, pode-se optar por uma reposição eventual que preencha os reservatórios do corpo.


7- Por que não existe vitamina B12 nos vegetais?
A vitamina B12 é produzida por algumas bactérias que muitas vezes não mais habitam os alimentos vegetais fornecidos, apenas os animais. No entanto, se você tiver uma horta e utilizar adubo orgânico, você provavelmente irá colher vegetais ricos desta vitamina.


8- O que o vegetarianismo tem a ver com o ambiente?
Tudo! Estudos indicam que a dieta vegetariana é a melhor forma de reciclagem de elementos e energia necessários para a sobrevivência do nosso planeta. As árvores, por exemplo, não apenas consomem o dióxido de carbono produzido, bem como produzem através da fotossíntese, o oxigênio e a energia necessários para nossa sobrevivência. As árvores também reduzem a temperatura na Terra e cada uma delas é capaz de produzir centenas de litros de água por dia.


9- A alimentação vegetariana poderia resolver o problema da forme no Brasil? Como?
O plantio de vegetais produz grande quantidade de água, oxigênio, vitaminas, sais minerais e energia por metro quadrado. Em uma mesma área, a pecuária consome grande quantidade de água, plantas, oxigênio e alimento. Mesmo a quantidade de proteína vegetal produzida na agricultura, é inúmeras vezes superior á animal, por metro quadrado de área pecuarista. Isto poderia resolver o problema da fome em todo o mundo.


10- A alimentação vegetariana restringe o cardápio?
Uma alimentação vegetariana pura restringe o consumo de alimentos de origem animal apenas. No entanto, amplia o consumo de diferentes tipos de grãos, frutas, vegetais, raízes, nozes, castanhas, etc.


11- Dietas vegetarianas mistas (ovo + leite etc.) são sempre saudáveis?
Hoje em dia, a industrialização desenfreada sufocou a produção artesanal de produtos animais, e isto gerou enormes problemas para o planeta e para a humanidade, afetando o meio ambiente e os alimentos. No entanto, devido ao seu maior teor de gorduras, os alimentos de origem animal são um grande receptáculo de toxinas insolúveis na água do corpo, a gordura e essas toxinas não habilitam estes alimentos como saudáveis.


12- Quais são os benefícios da alimentação vegetariana para uma pessoa que esteja convalescendo, por exemplo, depois de passar por uma cirurgia para retirar um tumor cancerígeno nos rins (ou outro órgão)?
A alimentação vegetariana pura fornece água, energia e vitaminas importantes como a C, mais do que indicada, para a recuperação de tecidos no corpo. Além de tudo, é uma dieta desintoxicante e anticancerígena.


13- É possível a um vegetariano alimentar-se num restaurante comum?
Sem dúvida! Na realidade, a grande vedete da alimentação vegetariana é o seu baixo teor de gorduras e toxinas. Portanto, além dos alimentos de origem animal, também deve ser evitado o consumo de elementos calóricos como o açúcar, o álcool e as gorduras como óleos, azeite e frituras.


14- Crianças podem ser vegetarianas sem prejuízo para o seu crescimento?
Para responder a esta pergunta precisamos apenas analisar o melhor alimento criado para as criancinhas: o leite materno. Ele contém água, vitaminas, sais minerais, energia sob a forma de lactose, e bem pouca gordura e proteína, algo em torno de 6% do seu volume calórico total.
Portanto, a composição do leite materno se assemelha muito à de um alimento de origem vegetal, rico em carboidratos, com baixo teor de gorduras e proteínas. Se o aporte energético em calorias for adequado à fase de crescimento da criança, ela poderá ser vegetariana sem prejuízo nenhum.


15- Como se faz a transição para uma alimentação vegetariana?
Depende muito de cada um. No entanto, recomendo associar a nova dieta a um programa regular de atividade física visando à elevação natural das reservas energéticas dos músculos, além de proporcionar uma distração para a eventual dependência dos alimentos de origem animal.


16- Quais são as vantagens da alimentação vegetariana em relação à dieta ovolactovegetariana?
Bioquimicamente falando, dieta vegetariana é uma só, a pura. Ovos, leite e seus derivados têm desvantagens semelhantes às da carne. Muitas vezes, uma dieta ovolactovegetariana pode conter mais gordura e toxinas do que uma dieta com pouco filé de peixe e muitas frutas e vegetais, sem ovos, leite e derivados.


17- Quais são os equívocos mais comuns a serem evitados por quem começa a praticar a alimentação vegetariana?
Acreditar que a alimentação é a solução para tudo. Um estilo de vida saudável consiste na prática de diversos hábitos, como por exemplo, dormir e acordar cedo, ter um elevado consumo de oxigênio através da prática regular de atividades aeróbicas, bom humor e relacionamento, abstenção do álcool e do tabagismo, boa educação e falta de preconceitos, controle do apetite, espírito solidário, tudo isso é importante para a saúde de alguém e de uma sociedade.


18- Os vegetarianos precisam fazer exercícios? Por quê?
Uma das grandes vantagens da dieta vegetariana é o aporte de energia sob a forma de carboidratos, o que favorece tremendamente a prática de atividades físicas. Sem o exercício, o corpo deteriora e até mesmo engorda e envelhece, mesmo das dietas vegetarianas.


19- Como seria o cardápio típico de um dia para um vegetariano (vegano)?
Para a refeição da manhã, existem diferentes tipos de grãos e raízes, como por exemplo: aveia, centeio, trigo (pão ou até mesmo massa), milho, arroz integral, grão-de-bico, soja (pasta ou tofu), batata, inhame ou aipim, acompanhados de frutas frescas e secas, nozes e castanhas.
Para o almoço, há uma enorme variedade de verduras e legumes acompanhados de grãos, como feijão, ou funghi seco com a sua consistência similar à da carne; risoto ou massa integral de funghi, kibe de forno, lasanha de berinjela, etc.
Pode-se incluir um lanche de frutas mais tarde e um jantar leve, tipo ceia, antes de dormir: uma simples salada e sopa de vegetais ou raízes como batatas assadas ao forno com tomate seco e alecrim, por exemplo.


20- Como seria o cardápio típico de um dia para um ovolactovegetariano?
Pelas razões já expostas, atualmente prefiro não recomendar a dieta ovolactovegetariana.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Aprendendo sobre o Veganismo - O que é Senciência?


Senciência


Conceito chave para a compreensão do debate sobre os direitos animais. A senciência é definida como a presença de estados mentais que acompanhem as sensações físicas. Ela é um atributo fundamental para todos os animais, por estes estarem separados de sua fonte de alimentos e, portanto, só existe neles. Por isso é considerada uma característica típica e definidora dos indivíduos do reino animal.

Senciência é um conceito que combina os termos “sensibilidade” e “consciência”.

Diz-se de organismos vivos que não apenas apresentam reações orgânicas ou físico-químicas aos processos que afetam o seu corpo (sensibilidade), mas além dessas reações, possuem um acompanhamento no sentido em que essas reações são percebidas como estados mentais positivos ou negativos. É, portanto, um indício de que existe um eu que vivencia e experimenta as sensações. É o que diferencia indivíduos vivos de meras coisas vivas.

A senciência é uma característica que está presente apenas em seres do reino animal. O sinal exterior mais amplamente reconhecido de senciência é a dor e, dessa forma, este conceito – ou sua idéia – tem sido usado, há tempos, como fundamento para a defesa da proteção dos animais não-humanos contra o sofrimento, ou para a atribuição de direitos morais aos mesmos. Por exemplo, Jeremy Bentham, no século XIX, já dizia que o que deveria ser considerado no debate sobre o dever de compaixão dos seres humanos perante animais não-humanos não era se estes eram dotados de razão ou linguagem, mas se eram capazes de sofrer.

No entanto, é bastante controverso, mesmo entre ativistas e estudiosos dos direitos animais, quais animais não-humanos podem ser considerados sencientes. A senciência é amplamente reconhecida em todos os animais vertebrados – portadores de sistema nervoso central -, o que inclui quase todos os animais usados comumente pelo ser humano em suas atividades. Esta definição, porém, enfatiza apenas um critério para a existência de senciência: a manifestação (a nós, perceptível) da dor.

Existem, porém, outros sinais exteriores que evidenciam que outras espécies de animais experimentam o mundo de forma individual, como a existência de órgãos sensoriais que evidenciam uma necessidade de interpretar imagens, sons ou odores captados a partir dos respectivos sentidos. Esse conceito abrange não apenas animais vertebrados, mas também animais invertebrados como insetos, moluscos e aracnídeos e, portanto, corresponde a todos os animais que são tradicionalmente usados pelo ser humano. Por esta definição, apenas esponjas seriam animais não-sencientes.

Pode-se ainda usar o conceito como uma forma de definir todos os seres do reino animal: é também provável que o conceito de senciência esteja vinculado à própria condição de ser um animal – seres que se separam de sua fonte de provimento ao nascer e precisam buscar o alimento por movimento próprio.

Desse modo, as correntes mais abrangentes do movimento pelos direitos animais defendem que, pelo princípio da senciência, se reconheça direitos morais a todas as espécies de animais sem distinção, e se conceda o benefício da dúvida àquelas espécies cujo conhecimento da sua biologia não permita uma conclusão definitiva sobre a presença de senciência.

Não se deve confundir senciência com autoconsciência, que é o conceito que define a consciência que o eu tem de ser um indivíduo pensante, separado dos demais seres. Este conceito de origem kantiana é enfatizado principalmente por Peter Singer, que o emprega para estabelecer um critério hierárquico entre os seres sencientes cujos interesses entrem em conflito. Para Singer, quanto maior o grau de autoconsciência, maior é a percepção que o animal tem do tempo e, portanto, maior o dano que se causa a ele ao tirar-lhe a vida – pois desse modo ele não perde apenas a vida, mas todos os planos que tem para o futuro. A autoconsciência geralmente é “constatada” pelo teste do reconhecimento no espelho. Tal teste, porém, tem como referência aquele sentido que é, de modo geral, privilegiado pelos seres humanos, e como tal, negligencia o fato de que outros sentidos (como o olfato ou a audição) são mais importantes para determinadas espécies animais. Desse modo, ele é tido como um método especista e antropocêntrico, de se auferir a autoconsciência de um animal. Sabe-se, por exemplo, que o cão não “passa” no teste do espelho e, no entanto, reconhece os indivíduos de sua espécie primordialmente através do olfato.

Gary L. Francione, por sua vez, usa o conceito de senciência como o critério fundamental e suficiente para garantir direitos morais aos animais não-humanos.

*Com adaptações do glossário do site Senties (www.sentiens.net)

Fonte: www.anda.jor.br

Revista dos Vegetarianos de Abril


Ontem comprei a "Revista dos Vegetarianos" nº 42 e logo nas primeiras páginas fiquei emocionada com as palavras do editor Marco Clivati. Ele fala este mês sobre as faíscas que encontram a consciência e criam a chama da transformação... Faíscas, fagulhas, sementes do despertar tão necessário para o Planeta Terra.

Uma reportagem notável (e que recomendo) é a entrevista com a blogueira Andréa Nichols, que atualmente cuida do Blog "Animalista" da MTV Brasil. Sim, direitos animais sendo tratados com respeito. É o Ativismo surgindo em todos os tipos de mídia.

Ao final da entrevista, a Andréa nos inspira a agir, de todas as formas, para a transformação da realidade dos animais não-humanos. Segue o trecho:

"Os animais não tem voz. Eles são massacrados diariamente como se fossem inanimados. E são seres sencientes! Isso significa que sentem dor, medo, e querem preservar suas vidas tanto quanto nós humanos. Quero que as pessoas tomem responsabilidade pelo que estão fazendo com eles.

Não dá para fechar os olhos e imaginar uma fazendinha feliz, com bezerros e galinhas correndo soltos, e aí comer seu bife com ovos e tomar seu copo de leite sem querer se envolver com a verdade. Tem que saber que aquela vaca leiteira, aquela galinha e aquele boi sofreram um terror e uma dor inomináveis. É preciso que todos saibam essa verdade que vem sendo muito bem escondida."

Então, inspirada pela Andréa, decidi divulgar ainda com mais clareza o veganismo. Vou divulgar conceitos, notícias e até mesmo algumas receitas. Vou indicar Blogs, sites e divulgar por aqui (pois já divulgo no Orkut e em listas de e-mails) as AÇÕES em prol dos animais não-humanos.

Se você, que está lendo estas palavras agora, optar por não agir, não tentar transformar suas atitudes, não ser vegano... Ok. É opção sua. Cruzar os braços é, sem dúvida, um direito seu. Entretanto, após ter acesso às informações, você nunca mais poderá alegar que "não sabia".

Como disse Francione: "Ser veganos é aquilo que todos nós podemos fazer hoje — agora mesmo — para ajudar os animais."

Desperte!

Transforme-se.

Seja VEGANO.