domingo, 24 de junho de 2018

Letra A

No final de tanto suor e dores
...de tanto medo, sacrifícios e escolhas

A brincadeira de criança
...aquela, com as formas

Era o caminho

Antes de trilhá-lo, eu já o conhecia
Antes de aprender, eu já sabia!


(Flavia Alves)




Sobre o tempo



A percepção emerge de dentro
O pensamento molda o olhar
Tempo encadeado, aprisionador
Tempo (ainda) linear... Dor.


(Flavia Alves)






(Não chegaste com o vento) Chegaste com a chuva


És semente escolhida
(não chegaste com o vento)
És sonho há muito almejado
Amor e (quase) destino encantado

És luz, paz e harmonia
Encontro, fé e alegria
És um ser de sonhos, ente lírico
És meu ranger e arqueiro amado

O mundo é parte de nossa jornada
A amizade, alicerce para os sonhos
Todas as possibilidades, parte dos caminhos
De um chover profundo e risonho


(Flavia Alves)




Poesia para a Turma Azul-Lilás


Cada sorriso é contagiante
Cada choro, aprendizado
Cada risada é importante!
Cada troca, um ensinamento

Cada pergunta é instigante
Cada dúvida, possibilidade
Cada entusiasmo, novos caminhos
Cultivar nos olhos, a curiosidade!

Cada criança é um universo
A escola é palco e é chão
O grupo, único e diverso
Somos redes e transformação


(Flavia Alves)






domingo, 15 de abril de 2018

Discurso de Formatura




Licenciatura plena em Pedagogia - UNIRIO - 12/04/2018
(texto de Flavia Alves)

Magnífico reitor, queridos professores e todos os distintos membros da mesa; senhoras e senhores aqui presentes; caros colegas e amigos, boa noite.

Antes de começar a minha fala, é preciso dizer: Marielle e Anderson presentes! Cláudia, Amarildo, Heley, Marias, Josés, e tantos outros, presentes!

Estamos vivendo um momento sombrio em nossa História.

Nosso estado segue sob intervenção militar; segue, em seu curso histórico, o genocídio dos nossos negros e pobres; segue, em seu curso histórico, o genocídio de nossos índios; seguem as perseguições políticas; segue o machismo que mata e silencia meninas e mulheres; segue a nossa frágil democracia em um incerto ano eleitoral.

O cenário do mundo não ajuda. Enfrentamos, enquanto espécie, a sexta grande extinção em massa do planeta; o aumento das desigualdades causadas pelo capitalismo; seguem as mortes em guerras; a destruição da natureza e a desesperança em um futuro que não passe por profundas e urgentes transformações.

Mas, se estamos aqui esta noite é porque decidimos lutar.
Se estamos aqui hoje, para recebermos os nossos diplomas de educadores, é porque nós, deliberadamente, escolhemos lutar. Escolhemos a educação. Escolhemos resistir! Escolhemos semear! Nós escolhemos a LUTA.

É preciso dizer que a universidade pública é um espaço de resistência, é necessário e é essencial que siga desta forma.
 
Nem sempre é fácil seguir o caminho do coração, seguir os sonhos e ter forças para acreditar que eles serão reais. Nas jornadas de cada um de nós existem os tropeços; o cansaço; o desânimo; o medo de não conseguirmos; os colegas e amigos que ficaram pelo caminho (a todos, nosso carinho e saudades). Foi preciso ter esperança para seguir adiante. Foi e é preciso acreditar. E, para acreditar, precisamos de coragem e fé.

A luta de cada um de nós não é luta solitária. 
 
Somos muitos e seremos mais a cada dia, porque a luz que se acende com a resistência e esperança, É LUZ FORTE! É luz que acende outras luzes através das redes que tecemos, das semeaduras pela utopia de um mundo melhor e mais justo; e dos nossos sonhos reais, como o diploma de pedagogos que hoje recebemos.

E, para chegarmos aqui, travamos muitas batalhas: o esforço contínuo e cotidiano que nos levou à descobertas, aprendizados, superação, construção e desconstrução de conhecimentos. Redes.

Lutamos com o apoio de nossas famílias, amigos, colegas, professores e funcionários... De todos e de cada um dos nossos seres amados. De toda a sociedade porque estamos em uma universidade pública. Redes.

E para cada um de vocês, oferecemos a nossa mais profunda e sincera gratidão.

Nós, humanos, somos parte de uma grande teia.

Há uma interconexão entre tudo e todos... Entre cada um de nós. Entre a humanidade e a natureza. Somos a Terra. Somos um.

A complexidade dos problemas humanos demanda múltiplos caminhos, interações e buscas; demanda empatia, sensibilidade, compaixão e cooperação. Demanda afeto!
Não poderá existir uma verdadeira transformação em nossas sociedades se não permitirmos que as emoções assumam o seu grau de importância junto ao racionalismo científico e acadêmico.

Precisamos também romper com as padronizações porque a homogeneização é silenciadora e opressora. Não existe um modelo único, uma beleza única, um único molde de vida, família, caminho ou pensamento. As hierarquizações de culturas, povos, gêneros, cor de pele, classes sociais; fizeram e fazem estragos desnecessários para a humanidade. 
 
Todos são importantes, todos somos parte uns dos outros e essa percepção torna-se, a cada dia, mais e mais urgente.

O que está em xeque não é apenas o nosso futuro, porque o agora já é completamente comprometido com as injustiças e os absurdos que estão ligados a esta desconexão do homem com a natureza, com os outros homens e as demais espécies.

É preciso desconstruir a lógica capitalista urbano industrial hegemônica; desconstruir as desigualdades de classes; construindo um respeito profundo e real pelas diferenças de raça e de gênero. Por todas as diferenças.

É preciso que nos vejamos como parte de um planeta e não de um bairro, ou cidade. É preciso ampliar o olhar, perceber o valor de toda a vida e assim, reinventar a humanidade.

E a educação é, reconhecidamente, ALICERCE para todas as transformações necessárias.

Seguiremos assim, sendo luta, sendo resistência e esperança. Somos coragem por todas as escolhas que fizemos e fazemos. Somos coragem por estarmos aqui hoje.

E agora, eu gostaria de finalizar a minha fala com uma citação de Bertolt Brecht.

“Hay hombres que luchan un día y son buenos.
Hay otros que luchan un año y son mejores.
Hay quienes luchan muchos años, y son muy buenos.
Pero hay los hay que luchan toda la vida: esos son los imprescindibles.”

SEJAMOS.