domingo, 15 de abril de 2018

Discurso de Formatura




Licenciatura plena em Pedagogia - UNIRIO - 12/04/2018
(texto de Flavia Alves)

Magnífico reitor, queridos professores e todos os distintos membros da mesa; senhoras e senhores aqui presentes; caros colegas e amigos, boa noite.

Antes de começar a minha fala, é preciso dizer: Marielle e Anderson presentes! Cláudia, Amarildo, Heley, Marias, Josés, e tantos outros, presentes!

Estamos vivendo um momento sombrio em nossa História.

Nosso estado segue sob intervenção militar; segue, em seu curso histórico, o genocídio dos nossos negros e pobres; segue, em seu curso histórico, o genocídio de nossos índios; seguem as perseguições políticas; segue o machismo que mata e silencia meninas e mulheres; segue a nossa frágil democracia em um incerto ano eleitoral.

O cenário do mundo não ajuda. Enfrentamos, enquanto espécie, a sexta grande extinção em massa do planeta; o aumento das desigualdades causadas pelo capitalismo; seguem as mortes em guerras; a destruição da natureza e a desesperança em um futuro que não passe por profundas e urgentes transformações.

Mas, se estamos aqui esta noite é porque decidimos lutar.
Se estamos aqui hoje, para recebermos os nossos diplomas de educadores, é porque nós, deliberadamente, escolhemos lutar. Escolhemos a educação. Escolhemos resistir! Escolhemos semear! Nós escolhemos a LUTA.

É preciso dizer que a universidade pública é um espaço de resistência, é necessário e é essencial que siga desta forma.
 
Nem sempre é fácil seguir o caminho do coração, seguir os sonhos e ter forças para acreditar que eles serão reais. Nas jornadas de cada um de nós existem os tropeços; o cansaço; o desânimo; o medo de não conseguirmos; os colegas e amigos que ficaram pelo caminho (a todos, nosso carinho e saudades). Foi preciso ter esperança para seguir adiante. Foi e é preciso acreditar. E, para acreditar, precisamos de coragem e fé.

A luta de cada um de nós não é luta solitária. 
 
Somos muitos e seremos mais a cada dia, porque a luz que se acende com a resistência e esperança, É LUZ FORTE! É luz que acende outras luzes através das redes que tecemos, das semeaduras pela utopia de um mundo melhor e mais justo; e dos nossos sonhos reais, como o diploma de pedagogos que hoje recebemos.

E, para chegarmos aqui, travamos muitas batalhas: o esforço contínuo e cotidiano que nos levou à descobertas, aprendizados, superação, construção e desconstrução de conhecimentos. Redes.

Lutamos com o apoio de nossas famílias, amigos, colegas, professores e funcionários... De todos e de cada um dos nossos seres amados. De toda a sociedade porque estamos em uma universidade pública. Redes.

E para cada um de vocês, oferecemos a nossa mais profunda e sincera gratidão.

Nós, humanos, somos parte de uma grande teia.

Há uma interconexão entre tudo e todos... Entre cada um de nós. Entre a humanidade e a natureza. Somos a Terra. Somos um.

A complexidade dos problemas humanos demanda múltiplos caminhos, interações e buscas; demanda empatia, sensibilidade, compaixão e cooperação. Demanda afeto!
Não poderá existir uma verdadeira transformação em nossas sociedades se não permitirmos que as emoções assumam o seu grau de importância junto ao racionalismo científico e acadêmico.

Precisamos também romper com as padronizações porque a homogeneização é silenciadora e opressora. Não existe um modelo único, uma beleza única, um único molde de vida, família, caminho ou pensamento. As hierarquizações de culturas, povos, gêneros, cor de pele, classes sociais; fizeram e fazem estragos desnecessários para a humanidade. 
 
Todos são importantes, todos somos parte uns dos outros e essa percepção torna-se, a cada dia, mais e mais urgente.

O que está em xeque não é apenas o nosso futuro, porque o agora já é completamente comprometido com as injustiças e os absurdos que estão ligados a esta desconexão do homem com a natureza, com os outros homens e as demais espécies.

É preciso desconstruir a lógica capitalista urbano industrial hegemônica; desconstruir as desigualdades de classes; construindo um respeito profundo e real pelas diferenças de raça e de gênero. Por todas as diferenças.

É preciso que nos vejamos como parte de um planeta e não de um bairro, ou cidade. É preciso ampliar o olhar, perceber o valor de toda a vida e assim, reinventar a humanidade.

E a educação é, reconhecidamente, ALICERCE para todas as transformações necessárias.

Seguiremos assim, sendo luta, sendo resistência e esperança. Somos coragem por todas as escolhas que fizemos e fazemos. Somos coragem por estarmos aqui hoje.

E agora, eu gostaria de finalizar a minha fala com uma citação de Bertolt Brecht.

“Hay hombres que luchan un día y son buenos.
Hay otros que luchan un año y son mejores.
Hay quienes luchan muchos años, y son muy buenos.
Pero hay los hay que luchan toda la vida: esos son los imprescindibles.”

SEJAMOS.
 
 
 
 
 

sábado, 24 de março de 2018

Acróstico para Fernanda


Feliz é aquele que conhece o amor
Entendendo que nada é mais importante
Realizando sonhos através dele
Nunca desistir, fazer o melhor
Alcançar a paz (interior), persistir
Na vida, nos encontros, resistir
Das experiências, aprender e filtrar
Amar incondicionalmente, amar


(Flavia Alves)




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Fotografia: Roeselien Raimond

sábado, 21 de outubro de 2017

Coragem

(poesia de Carol Magalhães)

Pensei

Disse

Não disse

Não pensei e falei

Falei depois de ensaiar

Falei pensando

Pensei fazendo

Vivi...



sábado, 7 de outubro de 2017

Aceitação


O lugar de observadora de mim mesma, algumas vezes, provoca um sentimento de estranheza sobre o meu passado. Parece um filme, como se fosse uma outra vida.

Ora isso é bom, porque alivia certas dores que ainda insistem em latejar... Ora é apenas estranho.

Por que estou tão diferente do que fui, que simplesmente não consigo me reconhecer nas minhas próprias memórias.

Tudo esvai.
Tudo flui.
Tudo parece dissipar, como quando acordamos de um sonho complexo e ficam apenas fragmentos.

O que fazer com os pedaços do que fomos e do que vivemos... Se eles são justamente os tijolos dourados que nos trouxeram até a cidade verde?

Conchas, pedras, penas e folhas.
Mar que visita os olhos e a boca.
Silêncio opressor.

Frequentemente me sinto como a Sarah, enfrentando o espelho de mim mesma, refletido na forma de homem-coruja, de Rei dos Duendes...

Quem tem o poder sobre mim?
Quem pode devolver a criança que foi roubada?

Palavras. Ações. Lutas.

Lágrimas na chuva.
Dias de sol e vento.
Mapas perdidos nos reflexos confusos do que foi vivido e do que foi apenas sonhado.

Lutas. Cansaço. Olhar.
O lugar do observador.
O lugar daquele que observa o observador.

Meditação.
Crescimento.
Passos que me afastam do apego.

Impermanência como condição.
Como natureza.
Como Ser.

Aceitação.


(Flavia Alves)





quarta-feira, 12 de julho de 2017

Desperta! (Luíz Gonzaga Alves)




Por que depedras tanto a natureza
Homem insensato de viver sem tino?
Tua vida sem ela é uma incerteza
Triste, sem ela, será o teu destino.

Com teu hábito mau de destruir
Alteras o ritmo normal da vida.
Onde chega teu progresso, vai o poluir,
Levando bagagem, de morte bem provida.

É tempo ainda de mudar o rumo.
Do que tens feito, analisa bom resumo
E deixarás a ilusão, conhecerás a verdade.

Busca vencer teus erros seculares,
Mister se faz vida nova começares,
Despertando enfim, para a grande realidade.

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Poesia de meu amado e saudoso avô, Luíz Gonzaga Alves